De cabelos ruivos e sorriso fácil, Paula Cristina Zanata nasceu em Cassilândia e atualmente mora em Campo Grande com o esposo e duas filhas. Ela é servidora do Ministério Público Federal, esposa, mãe, amiga e mulher com deficiência. O último fator é apenas um detalhe. Com uma vida cheia de energia e cor, a cadeira de rodas não é vista como uma prisão, mas como asas que lhe dão capacidade para ir ainda mais longe.
Ao se apresentar, Paula conta que é “alguém que ama a vida e que, por ter uma doença grave progressiva, encara cada dia comum como um milagre”. Ela possui amiotrofia medular espinhal nível 2, que é uma forma crônica infantil de atrofia muscular, caracterizada por fraqueza muscular e hipotonia resultante da degeneração e da perda dos neurônios motores inferiores da medula espinhal e do núcleo do tronco cerebral.
Paula explica que o seu diagnóstico foi descoberto antes de ela completar 1 ano de idade, por não conseguir se manter sentada sem ajuda. “Pelo prognóstico médico, na época, minha expectativa de vida era até os 18 anos de idade”, disse Paula, que hoje está com 43 anos.
De acordo com a servidora, familiares evitam falar a respeito de sua patologia. “Esse não era um tema na mesa e, por ter receio do que se tratava, nunca procurei saber nem mesmo qual era o nome da deficiência. Sempre vi minha cadeira de rodas como um acessório, igual ao meu sapato ou brinco. Por ser acometida pelo nível 2 da doença, eu nunca andei. Quando conheci o meu marido, que tratava de sua deficiência com tanta desenvoltura, pois ele tem baixa visão causada por retinose pigmentar, passei a ter interesse em pesquisar mais sobre”.
Contrariando as expectativas, a beneficiária da Cassems Paula Zanata construiu a sua família na companhia da Caixa de Assistência dos Servidores.
OS PRIMEIROS ANOS
O apoio incondicional dos pais foi importante para que Paula tivesse uma infância comum. “Estudei a vida toda em escolas regulares e participei de todas as atividades como as outras crianças. As dificuldades sempre foram contornadas pela dedicação da minha mãe, que fazia questão de me proporcionar todas as oportunidades. Se a escola iria fazer uma visita, minha mãe me levava de carro, seguindo o ônibus em que as crianças estavam. Se tinha banho de piscina na escola, lá estava a minha mãe para me colocar no dia e no horário marcado.
Nunca vivemos focados na doença nem nas coisas que não podíamos fazer, mas sim naquelas que podíamos”. A adolescência foi desafiadora para Paula, mas com dedicação intensa aos estudos. “Para mim, foi um período de descobertas. De igual modo, tive uma adolescência normal, mas muito focada na educação, pois sempre busquei me dedicar ao máximo e ser a melhor aluna. Enfrentei algumas dificuldades, como não poder ir ao banheiro na escola. Sempre me via como uma adolescente comum, mas que usava uma cadeira de rodas”.


