Por Gustavo Zangirolami*
A voz é a principal ferramenta de trabalho do professor. É por meio dela que a atenção da turma é conquistada, que os conteúdos são transmitidos e que a relação com os alunos se fortalece. Porém, muitos profissionais da educação sofrem com problemas de garganta e rouquidão, que podem atrapalhar tanto o desempenho em sala de aula quanto a qualidade de vida fora dela.
Mas, afinal, por que isso acontece? E como podemos cuidar melhor da voz? Por que a voz do professor sofre tanto?
O professor costuma falar por longos períodos, muitas vezes em ambientes ruidosos e sem o apoio de microfone. Esse esforço contínuo sobrecarrega as cordas vocais e pode causar sintomas como cansaço ao falar, dor ou ardência na garganta e rouquidão persistente. Além disso, fatores como ar-condicionado, pó de giz e baixa ingestão de água aumentam ainda mais o risco de desgaste vocal.
Cuidados simples que fazem diferença
A boa notícia é que algumas atitudes simples podem ajudar a preservar a saúde vocal no dia a dia:
- Hidrate-se com frequência: beber água ao longo do dia mantém as cordas vocais lubrificadas. Café e refrigerantes não substituem a água.
- Evite gritar ou competir com o barulho: quando possível, use o microfone ou procure estratégias para manter a disciplina da turma sem elevar demais a voz.
- Descanse a voz: assim como o corpo precisa de pausa, a voz também se recupera melhor quando há períodos de silêncio.
- Cuidado com o ar-condicionado: ele resseca o ambiente; por isso, vale a pena ter sempre uma garrafinha de água por perto e, se possível, usar umidificadores.
- Alimentação equilibrada: alimentos muito condimentados ou ácidos podem irritar a garganta. Prefira refeições leves, principalmente antes das aulas.
- Atenção aos sinais de alerta: rouquidão que dura mais de 15 dias deve ser avaliada por um médico otorrinolaringologista, pois, após esse período, o problema pode indicar algo mais sério e até alterações importantes nas pregas vocais, como inflamações, pólipos e nódulos.
*Médico otorrinolaringologista, pós-graduado em Medicina do Sono pelo Hospital Israelita Albert Einstein e supervisor da Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital dos Servidores do Estado (Cassems).


