Por Cidiana Pellegrin
Fotos: Messias Ferreira
Em cada unidade da Cassems que visita, o colaborador Mário Márcio Malaquias dos Santos, 54 anos, leva muito mais do que ferramentas e boa vontade para resolver os problemas de manutenção. Ele carrega também um coração generoso e um olhar atento a quem — ou o que — precisa de cuidado.
Há seis anos na instituição, Mário é daqueles profissionais que não passam despercebidos. Além de cuidar das instalações, ele também se dedica a acolher e proteger animais abandonados que aparecem nas unidades.
“Gosto muito do que faço. Minha área me permite estar em todos os lugares, conhecer todo mundo. Costumo dizer que é a melhor função da Cassems”, conta.
A simpatia e a disposição em ajudar o tornaram querido por todos — tanto que foi o mais votado em duas eleições consecutivas para a CIPA. Mas é no gesto silencioso e solidário que ele demonstra o quanto acredita que pequenas atitudes transformam o mundo.
Um lar provisório cheio de afeto
Na Cassems, a relação de Mário com os animais começou há cerca de cinco anos, quando um antigo chefe, também apaixonado por cães, o inspirou a acolher o primeiro filhote abandonado no depósito. “Era um cachorrinho deixado na frente do prédio. Demos o nome de Bidu. Levamos ração, cobertor e assim começou”, relembra.
Desde então, o espaço passou a receber cada vez mais visitantes de quatro patas. “Parece que os doguinhos da região ficaram sabendo que seriam acolhidos”, brinca. Com ajuda de colegas, ele montou uma verdadeira rede de solidariedade: cuidam dos animais, fazem vaquinhas para castração, vacinas e medicamentos, e organizam campanhas de adoção nas redes sociais. “No total, já cuidamos e doamos 23 animais”, conta com orgulho.
Mesmo com o apoio de outros colaboradores, é Mário quem assume a parte mais delicada: dar banho, medicar, tratar ferimentos e garantir comida e abrigo a quem chega. “Pra mim é a melhor coisa que tem, poder cuidar deles, nem que seja por um tempo. Eles agradecem com os olhos”, diz.
Um gesto que inspira
O amor pelos animais vem de infância. “Desde pequeno eu pegava bicho na rua. Quando tive minha casa, cheguei a ter 17 cachorros e três gatos”, recorda. Hoje, ele divide o lar com quatro — dois deles adotados dentro da própria Cassems.
Mais do que uma história de amor pelos animais, a trajetória de Mário revela o poder da empatia e da solidariedade. “Faz muito bem pra gente ajudar. A diferença é que a gente fica com a consciência tranquila, sabendo que fez sua parte. Sempre cobramos dos políticos, mas a mudança pra melhor começa com cada um. Se todo mundo fizesse um pouquinho, teríamos menos crianças e animais passando necessidade.”
O exemplo que vem do coração
Reconhecido pelos colegas como um exemplo de generosidade e boa energia, Mário acredita que o ambiente acolhedor da Cassems favorece gestos assim. “As pessoas se ajudam, e isso motiva ainda mais. Acho que o que faço pode servir de exemplo. Há mais prazer em doar do que em receber.” Entre ferramentas, fios e tintas, Mário mostra diariamente que cuidar é um ato que vai muito além do trabalho. Sua história é um lembrete de que gentileza e empatia não pedem crachá — pedem apenas coração.


