A cirurgia bariátrica provoca grandes transformações no metabolismo de quem passa pelo procedimento. Diante das diversas mudanças fisiológicas e anatômicas, os especialistas consideram que o paciente ganha uma nova vida após a operação.
Chamado popularmente de redução de estômago, esse método tem sido indicado a pessoas que sofrem com a obesidade e que não conseguiram resultados com outros tratamentos que previam, por exemplo, mudança de estilo de vida, dieta alimentar e terapia com fármacos.
Além da perda de peso, a técnica pode controlar e até eliminar dezenas de enfermidades, como explica a nutricionista especialista em obesidade e cirurgia bariátrica da Cassems Laurinete Delalata.
Diversos estudos demonstram os benefícios da cirurgia por seu potencial de reduzir o risco de infarto e derrame, com isso também caem pela metade os índices de mortalidade cardiovascular nessa população. O procedimento melhora ou controla cerca de 30 doenças relacionadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial, segundo pesquisas nos últimos dez anos”, revela. Ainda de acordo com a profissional há evidências que mostram que a cirurgia reduz em 60% o risco de desenvolvimento de câncer, em 85% a apneia obstrutiva do sono e em 56% o risco de desenvolver doença arterial coronariana.
No pós-operatório, existem diferentes etapas para o paciente: a dieta líquida restrita, a dieta pastosa e a dieta branda- em que se pode comer alimentos cozidos. Laurinete explica que nesse período é importante a mastigação. “A seleção dos alimentos deve ser orientada por um nutricionista, pois a quantidade de comida ingerida torna-se menor e por este motivo é importante priorizar os alimentos mais nutritivos, fontes de proteínas e ferro”, orienta.
No início, a quantidade de alimento é restritamente calculada e todas as fases devem ser seguidas conforme a orientação da equipe que acompanha o paciente, para evitar complicações. Passado o período de 30 dias, o paciente entra na fase em que poderá alimentar-se normalmente, uma mudança gradual e que possui individualidades.
Laurinete esclarece que a escolha de alimentos é um cuidado essencial, uma vez que a quantidade ingerida é pequena. “Com orientação, o paciente precisa identificar quais alimentos vão trazer mais conforto, satisfação e qualidade nutricional. Ele deve lembrar a importância de uma alimentação completa, carnes, leites e derivados (com baixo teor de gordura), frutas, vegetais e grãos. A evolução nutricional pode variar muito de um paciente para o outro, dependendo da tolerância individual. Aqueles que não reaprendem o processo de mastigação podem sentir dor e desconforto, dependendo do alimento utilizado”, esclarece.
Para o paciente bariátrico, a suplementação de polivitamínicos e minerais é um recurso fundamental para a sua saúde, pois, com as mudanças fisiológicas, o metabolismo passa a não conseguir absorver totalmente os nutrientes dos alimentos. A definição de quais ingerir, bem como a proporção, é prescrita pelo nutricionista.
De acordo com o Núcleo de Saúde Alimentar da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, a proteína está entre as maiores necessidades após o procedimento. Por isso, é importante que sejam adotadas estratégias alimentares e combinados de suplementação que unam alto valor nutritivo e fácil digestibilidade e sejam atrativas ao paciente.
Além do rigor de cuidados na fase pós-operatória, o sucesso do procedimento cirúrgico depende também da disciplina e do comprometimento do paciente, por isso, sedentarismo e má alimentação devem ser abandonados. É recomendado evitar comprar alimentos industrializados e ricos em gordura, doces, frituras e refrigerantes. Bebidas alcoólicas até podem ser consumidas, mas em ocasiões especiais e sempre com muita moderação.
“A cirurgia é uma ferramenta para auxiliar na redução sustentada de peso e precisa ser encarada como uma etapa nesse processo. Não importa a técnica utilizada, o paciente bariátrico deverá ser acompanhado por uma equipe multiprofissional e deverá fazer a reposição de vitaminas e de sais minerais por toda a vida”, finaliza Laurinete.


