Quem tem um bichinho em casa sabe que a rotina se torna mais feliz, ativa e menos solitária. Seja cão, gato ou até animais exóticos, como aves, répteis, peixes ou roedores, os animais trazem bem-estar, ajudam na afetividade e na socialização no dia a dia. O convívio ainda pode melhorar a comunicação, o humor, o sedentarismo e a autoestima, segundo estudos.
E esses benefícios podem estar associados às características da raça do animal. Quem precisa se movimentar
mais e praticar atividades físicas pode optar por um cão mais ativo, como labrador, golden retriever, dachshund e border collie, que estimulará brincadeiras e passeios em conjunto. Essas linhagens também podem atender as famílias que têm crianças e buscam pets mais dóceis, tolerantes, alegres e que gostem de diversão. Pessoas mais carentes, que desejam um mascote afetuoso, fácil de educar e que goste de interagir, teriam boas escolhas com o pug, shih tzu, maltês, poodle e outras opções de pequeno porte.
Já os gatos são indicados para quem gosta de animais mais tranquilos e independentes. Eles também são amorosos, mas não exigem tanta atenção como os cachorros. Peixes e tartarugas, por exemplo, podem ser alternativas para pessoas alérgicas a pelos ou, ainda, a quem tem perfil hiperativo e ansioso, pois o cuidado e a interação com esse tipo de pet estimula a calma e a contemplação.
A ciência já percebeu que os reflexos positivos desse convívio podem beneficiar no tratamento físico, psíquico e emocional de pessoas com alguma necessidade específica. O projeto de terapia de assistida por animais Cão Terapeuta é um exemplo disso. Comandada pelos professores da Uniderp Diogo Cesar Gomes da Silva, Marcelo Monteiro e Fernanda Morais, a iniciativa reúne 54 acadêmicos que levam seus cães ao Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, à Associação dos Amigos das Crianças com Câncer [AACC), à Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Campo Grande (Amas), à Associação Juliano Varela — especializada em síndrome de Down e ao Hospital Nosso Lar para auxiliar no processo de re cuperação dos pacientes. “Nesse contato com os animais, nós percebemos que há melhora no ânimo do paciente, em sua autoestima, na relação dele com a equipe médica e com a família, na verbalização e no seu bem-estar físico e mental. São aspectos que beneficiam a qualidade de vida dos internos dessas instituições que visitamos e tudo isso complementa o tratamento convencional da equipe médica”, explica o professor Marcelo Monteiro. Os resultados desse trabalho social também estão sendo transformados em produções científicas.
Outra iniciativa em Campo Grande que tem disseminado a terapia com cães em abrigos, clínicas, centros
de reabilitação, asilos e hospitais é o projeto Patinhas Solidárias, criado em 2016 pela arquiteta Gycelda Ajala.
Entre as experiências de bem-estar obtidas, ela relata que “os pacientes, em contato com o cão, liberam o hormônio da felicidade e tiram o foco do momento difícil”. De acordo com os médicos, essa interação com os animais ajuda a aliviar o estresse da internação, o que potencializa a reabilitação.
O sentimento de alegria também marca as visitas a quem não está em unidade hospitalar. “No caso dos ido-
sos, por exemplo, eles lembram de momentos da infância, de quando tinham um animal de estimação. Dá pra
aerceber que ficam muitos felizes, temos uma resposta muito boa”, revela a voluntária do projeto, Laura Ajala
Queiroz. O Patinhas Solidárias reúne cerca de 20 voluntários e está em processo de se tornar uma associação
filantrópica. Organizações com interesse em receber as visitas ou pessoas que desejam participar como voluntárias podem contatar a equipe pela rede: https://www.facebook.com/PatinhasSolidariasCG/.


