“O Caio Roberto Assis Vieira é uma pessoa extremamente afetiva, que possui um suporte familiar de apoio e afetos acima da média. Ele é muito carinhoso, emotivo e nutre muito carinho por toda a equipe que o atende”. Assim, a responsável pela humanização do Hospital Cassems Campo Grande, Raquel Anderson, descreve o rapaz de 24 anos, que inspira o projeto Amigos do Caio, realizado na unidade hospitalar.
Raquel é uma das profissionais do Hospital Cassems Campo Grande que acompanham o tratamento do Caio, filho da beneficiária Lenisvane Assis Vieira, ou Lenis, como é conhecida nos corredores da unidade hospitalar, e é ela quem conta como é a sua experiência Cassems.
O diagnóstico
Caio tem síndrome de Down, é autista e tem imunodeficiência primária, que o leva a ter infecções repetitivas que evoluem com bastante severidade. E, para tratar essa infecção periódica, Lenisvane e Caio chegam a passar, em média, 8 horas na unidade hospitalar.

“Há pouco mais de quatro anos, pelo menos uma vez na semana, vamos ao Hospital Cassems Campo Grande, ou para o Caio receber a infusão de imunoglobulina ou para passar por avaliação médica. Esse tratamento tem ajudado a aumentar as defesas do organismo dele e diminuído significativamente as infecções. Ele sempre foi assistido pela equipe da Rede Amo de oncologia, a qual realiza a infusão da medicação e cuida do Caio como membro da família”.
Lenisvane conta que, após esses anos, a família criou laços com a equipe que atende o Caio na unidade hospitalar.

“O Caio tem erupções no corpo que formam feridas muito grandes, que não evoluem porque ele está tomando a imunoglobulina. E eu não tenho palavras para agradecer, o carinho que recebemos desde sempre da equipe que nos cuidou e nos atende ali na Rede Amo. E são todos eles, o Gustavo, o Marcelo, a Vanessa, a Maria, a Sirlei, o Josias, a Jéssica, que é a supervisora, a Rafaela, o Fabrício, todos são maravilhosos”.
A beneficiária conta que a médica infectologista Márcia Dal Fabbro, é uma das que sugeriu uma nova proposta de tratamento para o rapaz e que sempre pesquisa uma forma de humanizar o tratamento do Caio.
“O Caio faz as infusões há muito tempo, porque ele ficava internado com muitas infusões de antibióticos. Nós passamos uns dois anos antes dessa tentativa da imunoglobulina fazendo com intervalos curtos, de menos de um mês, a troca de antibióticos sempre injetáveis. Essa proposta veio depois de ele ser encaminhado para a médica infectologista Márcia. Ela continuou esse tratamento com antibióticos por um tempo, até que nos sugeriu essa alternativa, que é tentar a imunoglobulina, e com esse tratamento reduzimos os episódios de infecção”.
Musicalidade e solidariedade
Caio é uma pessoa extremamente comunicativa, e a música é a sua principal linguagem, conta Lenisvane.
“O Caio, mesmo tendo síndrome de Down e sendo autista, tem facilidade em fazer amigos. E isso acontece também no ambiente hospitalar, porque ali ele sente que é o lugar que o acolheu. Ele vê o Hospital Cassems Campo Grande como uma casa, por mais que ele não goste de ficar mais ou menos 7 horas no hospital para receber a infusão, ele de alguma forma se sente motivado, porque ele sabe que quem o espera ali, são pessoas que o agradam e são amigas dele”.

Para agradecer todo esse carinho recebido e compartilhar solidariedade, a família organiza, com apoio da equipe de humanização do hospital, a Festa da Colheita – uma forma simbólica de dizer que tudo aquilo que é invasivo é por uma razão e que no fim todo o tratamento vai dar certo -, que contagia com cores, música e alegria os corredores da unidade hospitalar.
É possível conferir como foi uma das edições dessa celebração aqui.
“O Caio, atualmente, não tem outra possibilidade de tratamento a não ser a imunoglobina. Sabemos que a médica infectologista Márcia, que também é o amor da nossa vida, está sempre buscando tratamentos, mas, até o momento, é o que tem sido eficaz diante do quadro dele. Os resultados são positivos e têm contribuído para evitar intervenções de antibióticos. Por isso, realizamos essas ações. É a nossa forma de compartilhar o amor, o carinho e a atenção que temos recebido da equipe”.



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