Biomedicina nos bastidores do hospital

Biomedicina nos bastidores do hospital
Conheça o trabalho de profissionais dessa especialidade que garante a segurança do sangue que salva vidas
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Por Cidiana Pellegrin

Na rotina intensa do Hospital Cassems de Campo Grande, há um setor que atua longe dos olhos dos pacientes, mas cuja precisão faz toda a diferença entre risco e recuperação. É a Agência Transfusional, onde biomédicos, técnicos e demais profissionais trabalham 24 horas por dia para garantir que cada bolsa de sangue chegue ao paciente certo, no momento necessário e com total segurança.

“Enquanto o sangue que salva uma vida chega até a veia, existe uma equipe nos bastidores garantindo que ele seja seguro e compatível”, explica a biomédica especialista em Hemoterapia e Terapia Celular, Ludmylla Aquino, que coordena a unidade dentro do Hospital.

A Agência Transfusional funciona como um elo entre o banco de sangue e o paciente. É ali que são recebidos, armazenados e distribuídos hemocomponentes como sangue, plaquetas, plasma e crioprecipitado.

Antes que qualquer transfusão aconteça, uma série de testes é realizada, entre os exames obrigatórios estão tipagem sanguínea, pesquisa de anticorpos irregulares e provas cruzadas, além da inspeção de qualidade de cada bolsa. Essas análises são essenciais porque, se houver incompatibilidade, o organismo do paciente pode reagir ao sangue recebido, provocando reações graves, como febre, hemólise e até choque.

“Cada transfusão é resultado de uma cadeia de segurança que envolve ciência, responsabilidade e decisões críticas”, destaca a profissional.

Cada transfusão é única

No Hospital Cassems de Campo Grande, a maior demanda por transfusões vem de pacientes em tratamento contra o câncer, que frequentemente necessitam de reposição sanguínea durante os ciclos de quimioterapia, radioterapia ou cirurgias oncológicas, seguidos de casos em terapia intensiva e outros tipos de procedimentos cirúrgicos.

Segundo Ludmylla, cada transfusão é única: “Além do tipo ABO e do fator Rh, há outros sistemas de antígenos que influenciam na compatibilidade. Em pacientes que recebem transfusões frequentes, como os oncológicos, pode ser necessário usar bolsas especialmente selecionadas, fenotipadas ou irradiadas.”

Por isso, a decisão sobre qual hemocomponente será usado envolve o histórico clínico, a urgência e o estoque disponível. Tudo é feito dentro dos protocolos rigorosos da RDC 34/2014 e do Comitê Transfusional do hospital, que garantem rastreabilidade, controle de temperatura e investigação de qualquer reação adversa. “Cada decisão, cada resultado, cada bolsa liberada pode mudar o destino de alguém e isso traz um senso enorme de propósito”, afirma Ludmylla.

A biomedicina como ponte entre ciência e vida

Para Ludmylla, a Biomedicina é uma especialidade que conecta o diagnóstico ao cuidado. “O biomédico traduz os resultados laboratoriais em decisões seguras, unindo precisão técnica e conhecimento científico. No contexto transfusional, isso significa garantir que cada hemocomponente seja usado de forma racional, segura e personalizada”, explica.

Mesmo sem estar à beira do leito, o biomédico está presente em cada recuperação, em cada alta e em cada história que continua fora do ambiente hospitalar. “Nosso trabalho é cuidar da parte que o paciente não vê: os testes, o controle e a escolha da bolsa certa para que tudo aconteça sem riscos,” completa a coordenadora da Agência Transfusional.

Se cada bolsa de sangue há um ato de solidariedade, por trás de cada transfusão bem-sucedida, há também o olhar atento desses profissionais que trabalham com ciência, empatia e responsabilidade pela vida.

Você sabia?

• O sangue doado passa por diversos testes antes de ser utilizado, garantindo sua segurança.

• Cada bolsa pode beneficiar até quatro pacientes diferentes.

• As hemácias têm validade de até 42 dias, mantidas entre 2°C e 6°C.

• As plaquetas duram apenas 3 a 5 dias, e precisam ser mantidas em agitação constante.

• O plasma e o crioprecipitado, dois componentes derivados do sangue, podem ser armazenados por até 1 ano, a 18°C.

• No Hospital Cassems de Campo Grande, a Agência Transfusional funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano.

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