Por que o Vírus Sincicial Respiratório é tão temido entre pais e pediatras — e como a medicina já oferece formas eficazes de proteção.
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Por Francielle Floriano

Respiração acelerada, tosse persistente, chiado no peito — esses são alguns dos sinais de alerta da bronquiolite, uma infecção respiratória que preocupa especialmente pais de bebês e crianças pequenas. A condição, embora geralmente autolimitada, pode ser grave em casos específicos e é responsável por um número expressivo de internações pediátricas nos períodos de maior circulação de vírus, como o outono e o inverno.

A principal causa? O temido Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Mas ele não é o único: rinovírus, influenza, metapneumovírus e adenovírus também podem desencadear quadros de bronquiolite.

Segundo o Ministério da Saúde, até fevereiro de 2025, o Brasil já registrava 8.451 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 565 óbitos — cinco deles associados ao VSR. O dado reforça a importância da vigilância e da prevenção.

Afinal, o que é bronquiolite?

A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos — pequenas vias aéreas dos pulmões — causada, principalmente, por infecções virais. Ela afeta majoritariamente bebês com menos de dois anos, cujos sistemas respiratório e imunológico ainda estão em desenvolvimento. Geralmente, os sintomas começam como um resfriado comum, mas evoluem, em poucos dias, para tosse intensa, dificuldade para respirar, chiado e até febre.

A pediatra da Cassems, Louise Zangari, recomenda que, se a criança apresentar os sintomas, não deve ir à escola. “Mesmo sendo medicada e com a febre controlada, ela está transmitindo a doença para as outras crianças. Além disso, durante o período na escola, pode haver piora dos sintomas. O ideal é observá-la por um tempo em casa, fazendo curva térmica, medicando e monitorando os sinais de alerta.”

Prevenir é o melhor caminho

Conforme a pediatra, há muito que se pode fazer para reduzir o risco de bronquiolite, especialmente durante o outono e o inverno, quando o VSR circula com mais intensidade. Veja algumas medidas essenciais:

• Lave bem as mãos com água e sabão ou use álcool em gel;
• Evite contato com pessoas gripadas ou resfriadas, especialmente se houver um bebê em casa;
• Higienize o nariz dos pequenos com soro fisiológico com frequência;
• Cubra a boca e o nariz ao tossir ou espirrar (e ensine isso às crianças maiores);
• Evite aglomerações em locais fechados durante os meses mais críticos.

Imunização que salva vidas

Segundo o Ministério da Saúde, desde 2023, o Brasil conta com duas ferramentas poderosas para combater o VSR: a vacina Abrysvo e os anticorpos monoclonais Beyfortus (nirsevimabe) e Palivizumabe.

A vacina Abrysvo, indicada para gestantes entre 32 e 36 semanas de gestação, permite que a mãe produza anticorpos contra o VSR e os transfira ao bebê pela placenta. Isso garante proteção nos primeiros meses de vida — quando o risco de complicações é maior.

Já o Beyfortus, anticorpo monoclonal administrado diretamente no bebê, atua como uma defesa imediata e eficaz contra o VSR. Ele é indicado para todos os recém-nascidos durante sua primeira temporada de circulação do VSR, e crianças com até dois anos de idade com doenças pulmonares crônicas, cardiopatias congênitas, síndrome de Down, fibrose cística ou condições que afetam a musculatura respiratória.

Esse tipo de proteção funciona de forma semelhante a uma vacina, mas com uma diferença importante: os anticorpos já estão prontos e não dependem da resposta imunológica do corpo. Por isso, são especialmente úteis em bebês prematuros ou imunossuprimidos, ou seja, aqueles com o sistema imunológico enfraquecido ou ainda imaturo, o que os torna mais vulneráveis a infecções.

Tratamento

O tratamento da bronquiolite é, principalmente, de suporte, pois a condição é causada por infecções virais e, geralmente, resolve-se de forma espontânea. A especialista recomenda algumas abordagens para auxiliar o quadro:

• Hidratação adequada — especialmente se houver dificuldades na alimentação devido à respiração comprometida;
• Monitoramento respiratório — atenção à respiração e oxigenação do paciente é essencial. Em alguns casos, pode ser necessário fornecer oxigênio suplementar;
• Uso de broncodilatadores — especialmente quando há chiado evidente, essas substâncias, que promovem a dilatação das pequenas vias aéreas, auxiliam na evolução do quadro clínico.

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