Por Cidiana Pellegrin
Fotos: Messias Ferreira
A inovação que vem transformando a medicina sul-mato-grossense avançou ainda mais. O Hospital Cassems de Campo Grande passou a realizar cirurgias robóticas ginecológicas, ampliando o acesso das beneficiárias a um tratamento de alta precisão, com recuperação mais rápida e resultados mais seguros.
A nova modalidade cirúrgica utiliza o robô “Da Vinci”, tecnologia reconhecida mundialmente por permitir movimentos altamente precisos, visão em 3D e alta definição e execução de técnicas minimamente invasivas. Por meio do equipamento, o cirurgião controla braços mecânicos que reproduzem, com mais estabilidade e delicadeza, gestos impossíveis de serem feitos a olho nu ou com as mãos diretamente sobre o campo operatório.
Segundo a diretora de Assistência à Saúde da Cassems, Maria Auxiliadora Budib, o início dos procedimentos ginecológicos robóticos reforça o compromisso da instituição em unir cuidado humanizado e tecnologia avançada.
“A Cassems tem um olhar para o futuro. Está sempre investindo em alternativas que tragam um real valor na saúde dos servidores públicos. Prova disso é o parque tecnológico de robótica do nosso hospital, que vem avançando progressivamente e ampliando as possibilidades de tratamento”, afirma.
Na ginecologia, o robô “Da Vinci” permite a realização de procedimentos complexos, como histerectomia (retirada do útero), miomectomia (remoção de miomas) e cirurgias para tratamento de endometriose, entre outros. A tecnologia oferece uma precisão superior mesmo em regiões profundas da pelve, onde estruturas delicadas exigem cuidado milimétrico.
A médica ginecologista Rita Tavares dos Santos, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia de Mato Grosso do Sul (Sogomat-Sul) e uma das primeiras a realizar o procedimento na unidade, ressalta que a robótica é uma evolução da laparoscopia.
“A técnica é feita por pequenos orifícios, sem que o cirurgião precise colocar a mão diretamente na cavidade abdominal. Isso reduz o trauma, acelera a recuperação e proporciona uma experiência muito mais confortável à paciente”, explica.
Recuperação rápida e satisfação
Entre as primeiras pacientes a passar pela cirurgia robótica ginecológica no Hospital Cassems está a enfermeira Ariadne Lima, 37 anos. Diagnosticada com endometriose em 2019 e convivendo com dores intensas e sangramentos, ela buscou tratamento após nova piora no quadro, em 2024.
Para ela, saber que poderia realizar o procedimento de forma robótica foi um alívio.
“Fiquei extremamente contente, porque sou profissional de saúde e conheço os benefícios dessa tecnologia”, conta Ariadne.
Sua experiência no hospital foi marcada pelo acolhimento da equipe e pela recuperação surpreendente. “A recuperação foi muito rápida, fiquei surpresa com a evolução do pós-operatório. Tenho certeza de que essa tecnologia será um marco importante no tratamento de mulheres com endometriose”, relata.
Robótica avança em diversas especialidades
O Centro de Cirurgia Robótica do Hospital Cassems de Campo Grande iniciou suas atividades em outubro de 2024, com foco em urologia, especialidade que rapidamente consolidou a unidade como referência estadual. Em maio desse ano, a tecnologia foi expandida para a cirurgia geral (gastroenterologia) e, em agosto, chegou à ginecologia, marcando uma nova etapa na história do hospital. Até agora, o robô “Da Vinci” já auxiliou na realização de 125 cirurgias, sendo 114 urológicas, cinco na área de gastroenterologia (sistema digestivo) e seis ginecológicas.
O funcionamento do sistema robótico é considerado um dos grandes diferenciais: a plataforma amplia a visão do cirurgião em três dimensões e alta definição, elimina tremores das mãos e permite movimentos delicados e controlados. Na prática, isso se traduz em incisões menores, menos sangramento, menos dor, menor trauma tecidual e retorno mais rápido às atividades.
Para o médico urologista José Ricardo Silvino, responsável técnico pelo Centro de Cirurgia Robótica da Cassems, os números e a expansão das especialidades contam apenas parte da história. Para ele, o impacto real está no que a tecnologia representa para pacientes e cirurgiões. “A chegada do robô foi um divisor de águas na forma de operar e cuidar. A visão em 3D, a precisão dos movimentos e a possibilidade de reduzir trauma e sangramento transformaram o padrão de recuperação dos pacientes. Hoje, conseguimos oferecer em Mato Grosso do Sul um tratamento com o mesmo nível dos grandes centros do país — com menos dor, internações mais curtas e retorno mais rápido à rotina. Ver essa tecnologia avançando agora também para a ginecologia mostra que estamos só no começo de uma nova era na assistência à saúde”, finaliza.


