Especialistas orientam como fortalecer o sistema responsável pela defesa do organismo
Por Cidiana Pellegrin/ Fotos: Banco de Imagens
Todos os dias, o organismo é atacado por bactérias, vírus e outros micro-organismos que circulam pelo ambiente. O responsável pela defesa do corpo nessa luta é o sistema imunológico, uma complexa rede de milhões de células diferentes que atuam para nos manter livre de doenças. Em tempos de pandemia – em razão do novo coronavírus – e com a chegada do inverno, cuidar da imunidade para mantê-la alta tornou-se ainda mais importante.
A médica endocrinologista, Clícia Santos de Moura Fé explica que a chegada da estação fria está relacionada ao aumento de infecções respiratórias, pois há maior aglomeração em espaços fechados e quentes para se proteger das baixas temperaturas. “Ambientes pouco ventilados levam a um maior contágio e transmissibilidade de vírus e bactérias. Não é o frio em si que acarreta a diminuição da imunidade, mas a mudança nos hábitos das pessoas durante o período do inverno que leva a um aumento da propagação das infecções”, esclarece.
Inimigos da imunidade
Vários fatores podem provocar a queda na imunidade. Entre os principais, estão: ter poucas horas de sono, sofrer estresse emocional, abusar de álcool e drogas, não praticar exercícios físicos e ter uma dieta desequilibrada, rica em alimentos ultraprocessados, açúcar, gorduras trans e saturadas.
A médica Clícia ainda alerta sobre os prejuízos que a obesidade traz ao funcionamento do sistema imunológico e explica por que esse grupo é considerado de risco também quando se trata da Covid-19.
A obesidade é uma doença inflamatória, principalmente o tipo visceral, aquele em que os pacientes têm uma distribuição da gordura mais proeminente na cintura abdominal. A gordura presente nessa região produz fatores inflamatórios que podem interferir na resposta imunológica do combate a diversas infecções, como a Covid-19. Além disso, pacientes obesos apresentam maior risco em relação a doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, doença renal crônica e asma. Já temos alguns estudos que mostram que a obesidade é uma das principais comorbidades relacionadas a óbito por Covid-19, principalmente, nos pacientes jovens.
Outro agravante de pacientes obesos é que a grande maioria apresenta baixa massa magra, uma situação classificada pela medicina como obesidade sarcopênica. “O músculo é um órgão endócrino que libera citocinas que podem modular o sistema imunológico. A menor quantidade de músculos prejudica a recuperação de uma infecção ou de um procedimento cirúrgico”, esclarece Clícia.
Além de pessoas obesas, os diabéticos podem ter problemas, pois o estado inflamatório crônico presente nos pacientes portadores dessa doença pode impactar na resposta do sistema imunológico a infecções.
A resposta imune inata, que é a primeira linha de defesa do organismo, parece estar diminuída nesses indivíduos. Alguns micro-organismos também se tornam mais virulentos em um ambiente com altos níveis de glicose, como é o caso da candidíase, que é mais frequente em pacientes diabéticos”
Aliados na defesa
Há várias maneiras de fortalecer o sistema imunológico, mas, em primeiro lugar, Clícia reforça que é preciso controlar as doenças crônicas preexistentes, como diabetes, hipertensão ou doenças pulmonares, por exemplo, com acompanhamento médico frequente e medicações de uso contínuo prescritas pelo especialista. Além disso, dormir em quantidade suficiente para que se tenha um sono reparador, fazer exercícios regularmente, se alimentar de forma saudável, cuidar da saúde mental e estabelecer mecanismos para diminuir o estresse são medidas essenciais.
Mesmo perante a dificuldade, não devemos abandonar a prática de exercícios físicos, readequando nossa rotina para realizá-la de outras maneiras, no domicílio ou ao ar livre, se possível. É essencial manter o uso das medicações para as doenças crônicas e tentar manter uma boa saúde mental, para isso, aconselho evitar o excesso de noticiários negativos, desabafar mais com a família ou amigos por meios eletrônicos, ou até arriscar uma aula de yoga ou culinária on-line.
A boa alimentação também é uma grande aliada da imunidade, segundo a nutricionista da Cassems Fernanda Tosi. “Alimentar-se de forma correta fortalece nosso sistema imunológico porque é no sistema digestivo que encontramos nossa imunidade inata mais ativa. Então, comer corretamente, mastigando bem os alimentos, não ingerindo líquidos durante as refeições, mas mantendo uma boa hidratação durante o dia, evitar o consumo exagerado de açúcar, não consumir álcool de forma regular faz com que o nosso corpo se torne mais ativo e eficaz no combate às doenças. O intestino tem um papel fundamental nesse processo, pois nossa microbiota também tem relação com a nossa imunidade e com nosso organismo de uma maneira geral, inclusive na manutenção do nosso estresse,” esclarece.
A profissional destaca que é importante variar os alimentos, quanto mais colorido o prato estiver, maior será a diversidade de vitaminas e minerais da refeição. E é preciso se conscientizar que consumir bons alimentos deve ser um hábito diário, sem folgas de fim de semana, optando por naturais e evitando industrializados. Descascar mais e desembalar menos é o recado da nutricionista. “Os nutrientes vindos do alimento, além de nutrir as células, possuem fitoquímicos que são antioxidantes, que nos auxiliam na manutenção da homeostase [equilíbrio], mantendo nosso organismo mais ativo e sadio”, informa.

Para dar uma “força” ao sistema imunológico, Fernanda indica:
– Própolis, em razão das propriedades antimicrobianas e antifúngicas e que ativam o sistema imune. Existem diferenças entre os tipos de própolis e as quantidades a serem consumidas, o que pode mudar conforme cada paciente;
– Frutas cítricas, como limão, tangerina, laranja, acerola. Elas são uma boa fonte de vitamina C, um poderoso antioxidante que ajuda a fortalecer o sistema de defesa. Além disso, é uma substância que atua na síntese de colágeno, uma proteína responsável por estruturar os tecidos do corpo.
– Glutamina, um aminoácido abundante no corpo e que também é produzido naturalmente pelo próprio organismo. Encontrada em alguns alimentos, como iogurtes e ovos, essa substância ainda pode ser consumida na forma de suplemento, seguindo as prescrições individuais do nutricionista ou médico. A glutamina atua diretamente no intestino, reforçando barreiras contra micro-organismos capazes de causar doenças e auxiliando em outras interações no corpo.
– Cúrcuma, alho e cebola. São temperos que possuem altas concentrações de curcumina, alicina e quercetina, que atuam como anti-inflamatórios e antioxidantes.
– Chás calmantes, como camomila e melissa, que ajudam na modulação do estresse e são reparadores do sono.
Para ter uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes aliados do sistema imunológico, é importante contar com o auxílio de um especialista da Cassems.
A nutrição é fascinante, poderia incluir vários alimentos com benefícios diversificados, mas o que cada pessoa precisa é individual. Procure um nutricionista e cuide-se
Vitamina D
A ciência já comprovou que a vitamina D tem participação na regulação do sistema imunológico. Sua principal fonte de produção ocorre por meio da exposição solar, pois os raios ultravioletas do tipo B (UVB) ativam a síntese dessa substância. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda banhos de sol de 5 a 10 minutos todos os dias, sem protetor solar, para a produção dessa vitamina. “Uma boa atividade física ao ar livre durante o sol do início da manhã ou no fim da tarde provavelmente será suficiente para adquirir níveis adequados de vitamina D na população em geral”, orienta a endocrinologista da Cassems, Clícia Santos de Moura Fé.
Além disso, alimentos como peixes – salmão, atum, sardinha –, leite e fígado são fontes dessa substância, porém, suprem apenas 20% do que o organismo precisa. Outra forma de manter os níveis ideais é por meio da suplementação, por meio de reposição oral.
Clícia explica que um relevante estudo demonstrou que a reposição de vitamina D em pacientes extremamente deficientes da substância, com níveis abaixo de 10 ng/dl, é capaz de reduzir o risco de infecções respiratórias agudas altas, como aquelas que atingem o nariz e a garganta. Mesmo assim, a médica alerta que ainda não há indicação para prescrevê-la para a população em geral. “Muito menos a sua suplementação desenfreada com o objetivo de diminuir o risco de infecção ou de melhorar a resposta a uma infecção em curso. O recomendado é que ela seja dosada e suplementada, se necessário, no grupo de risco para complicações em razão da hipovitaminose D, como gestantes, pacientes com osteoporose ou osteopenia, diabéticos e idosos”, complementa.
Mesmo que o elo da vitamina com a imunidade tenha comprovação científica, a médica faz um alerta para quem está fazendo uso da suplementação por conta própria, acreditando que isso pode prevenir a Covid-19. “A evidência que temos é de que, além de não diminuir o risco de contrair o coronavírus, a superdosagem de vitamina D é extremamente deletéria, pois promove a reabsorção óssea, aumenta o risco de fraturas, além de poder levar à hipercalcemia, convulsão e insuficiência renal”, revela.
Para evitar problemas, a orientação é sempre buscar acompanhamento médico ou de um nutricionista para verificar se há necessidade de suplementos da vitamina e qual a dosagem individual.



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