Considerada um transtorno neurodegenerativo, progressivo e irreversível a doença de Alzheimer acomete 115% da população idosa do País, segundo o Ministério da Saúde. Para a Associação Brasileira de Alzheimer, 12 milhão de brasileiros já convivem com o problema.
Conforme a doença evolui, o paciente sofre com a deterioração cognitiva e da memória, suas atividades de vida diária vão sendo comprometidas e ele passa a ter uma série de sintomas neuropsiquiátricos e alterações comportamentais.
Algumas condutas podem representar sinais iniciais da doença, conforme exemplifica a médica neu-
rologista Aline Marques Silva Braga. Fique atento se há repetição excessiva de perguntas, contar várias vezes 13 mesma história para as Mesma pessoas, esquecimentos de fatos recentes, nomes ou fisionomia de pessoas com quem o convívio é frequente, dificuldade de realizar as tarefas do dia a dia e que eram rotineiramente executadas antes, como o desempenho de funções no trabalho, cozinhar, arrumar adequadamente a casa, fazer compras, fazer transações bancárias, entre outros.
A profissional recomenda que, assim que os sintomas forem detectados, se busque um neurologista ou geriatra com urgência, para que seja feita uma avaliação. As primeiras etapas para se fazer o diagnóstico. São a análise do quadro clínico e a aplicação de testes padronizados para avaliação das funções cognitivas no consultório. É muito importante que um família, (ou alguém que tenha convívio próximo, compareça às consultas, pois o paciente pode não ter a percepção de que o problema está acontecendo. Se essas primeiras etapas da avaliação apontarem para a presença da doença o médico pedirá exames laboratoriais, que servem para excluir outras doenças que causam os mesmos
sintomas, e o exame de ressonância magnética de crânio explica.
A causa da doença de Alzheimer ainda é alvo de pesquisa dos cientistas, mas alguns estudos indicam
predisposição genética, escolaridade, hipertensão, diabetes mellitus, acidente vascular cerebral (AVC) prévio colesterol aumentado e idade avançada como fatores importantes para o desenvolvimento da enfermidade.
A seguir, a médica neurologista Aline Marques Braga esclarece oito mitos e verdades sobre o Alzhei-mer, considerado a forma mais comum de demência em pessoas da terceira idade.
MITO
Não é possível prevenir o Alzheimer
MITO. Medidas como atividade física aeróbica regular, alimentação saudável, dormir bem e manter a pressão arterial, o colesterol e a diabetes controlados ajudam a prevenir a doença. Além disso, de
acordo com o Ministério da Saúde, os especialistas acreditam que manter a cabeça ativa também
pode ajudar a retardar ou inibir a manifestação da enfermidade.
VERDADE
Esquecimento é o primeiro sInal da doença
VERDADE. A memória recente é a primeira habilidade afetada na maioria dos casos, conforme escla-
rece a neurologista Aline Braga. “No início, a pessoa se esquece de data e horário de compromissos, passa a se esquecer de pagar as contas, de tomar os remédios na hora certa ou até mesmo de dar recados que recebeu para um familiar. Também pode começar a repetir assuntos ou perguntas com muita frequência”, detalha a médica.
VERDADE
Mulheres têm maior propensão de desenvolver Alzheimer
VERDADE. O estudo “Fatos e Números da Doença de Alzheimer”, da Associação de Alzheimer, organização americana dedicada a pesquisar o problema, revelou que a probabilidade de o grupo feminino desenvolver a doença após os 60 anos é de uma entre seis mulheres. Já no caso dos homens,
essa chance é de 1 para 11. Na avaliação da neurologista Aline, ainda não se sabe exatamente por que a proporção de mulheres é maior entre os pacientes com doença de Alzheimer, “mas algumas das possíveis explicações são a maior expectativa de vida das mulheres, já que a idade é o principal
fator de risco, e a redução da quantidade de estrogênio circulante após a menopausa”.
MITO
Alzheimer só atinge idosos
MITO. De acordo com a neurologista, existem casos em que a enfermidade pode começar antes dos
60 anos de idade. “Isso ocorre em algumas formas familiares de início precoce da doença, com alterações específicas de certos genes, como o gene APP. Porém, estas alterações ocorrem apenas em 0,1% dos casos de doença de Alzheimer. Então, uma demência que começa antes dos 60 anos tem maior chance de ter outra. Causa [existem mais tipos de demência, como a demência fronto temporal,
entre outras)”, esclarece Aline.
VERDADE
Pancadas na cabeça podem desencadear a doença
VERDADE. Pancadas na cabeça são fatores de risco para a doença de Alzheimer e outras
demências, como a demência do pugilista, que ocorre especificamente em lutadores.
VERDADE
Alzheimer não tem cura
VERDADE. Até o momento, os medicamentos utilizados servem para que a doença progrida de forma mais lenta, mantendo capacidades e a qualidade de vida por mais tempo, mas não curam.
VERDADE
Posso ter Alzheimer se houver histórico da doença na família
VERDADE. A especialista Aline alerta que há uma chance até 5 vezes maior de se desenvolver a do-
ença após os 60 anos caso exista histórico familiar de primeiro grau (pai, mãe ou irmão).
VERDADE
Alzheimer exige mudança no comportamento da família
VERDADE. Ter uma pessoa com doença de Alzheimer na família exige que esta esteja mais presente e envolvida em ações que podem dar uma melhor qualidade de vida ao paciente. “Ele necessitará que haja mais paciência para suas perguntas repetidas, alguém que fique responsável por cuidar da administração correta de medicações, alguém que faça atividades cognitivas estimulantes, como
jogar diariamente jogos de estratégia, dama ou xadrez, entre outros, para estímulo cognitivo, alguém que o acompanhe nas atividades físicas, etc, especifica a médica.


