A síndrome mão-pé-boca é uma doença viral bastante contagiosa, especialmente comum entre crianças menores de 5 anos. Entretanto, não se limita apenas a essa faixa etária, podendo afetar também crianças mais velhas e, em casos mais raros, adultos.
A enfermidade é frequentemente observada em ambientes coletivos, como creches e escolas, locais onde a proximidade e o compartilhamento de objetos facilitam a disseminação do vírus, segundo a pediatra Denise Albaneze, que atende pela Cassems.
“A doença é provocada por um enterovírus, o Coxsackie, que pertence ao grupo dos vírus do trato digestivo. A transmissão ocorre de forma fácil e rápida, por meio do contato direto com secreções de crianças infectadas, como saliva, fezes, ou até por gotículas provenientes de tosse e espirros. Além disso, o vírus pode ser encontrado em objetos como chupetas, mamadeiras, brinquedos e utensílios compartilhados, o que torna essencial a higienização frequente de todos esses itens”, esclarece Denise.

Sintomas
A pediatra aponta que os sintomas iniciais costumam aparecer entre três e seis dias após o contato com o vírus. A febre é um dos primeiros sinais, seguida de dor na garganta, que pode causar dificuldade para engolir, e aumento da salivação.
“Com o avanço da doença, surgem aftas dolorosas na boca e pequenas lesões em forma de vesículas [bolhas] nas palmas das mãos e nas solas dos pés, características que deram nome à síndrome. Em alguns casos, as lesões podem acometer também as nádegas e a região genital”, explica a profissional.
Como qualquer virose, a síndrome mão-pé-boca pode provocar mal-estar generalizado, dor de cabeça, recusa alimentar, vômitos e até diarreia. No entanto, os sintomas costumam regredir espontaneamente após cerca de sete dias.

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é clínico, ou seja, feito com base na observação das lesões típicas e nos sintomas descritos pelo paciente. Exames laboratoriais raramente são necessários, a menos que haja suspeita de complicações. Nesses casos, o vírus pode ser isolado nas fezes e um hemograma pode ajudar a descartar outras doenças.
“Quanto ao tratamento, não há medicação específica para combater o vírus. A conduta é voltada para o alívio dos sintomas, utilizando analgésicos e antitérmicos para controlar a dor e a febre. Além disso, é essencial garantir a boa hidratação e oferecer uma alimentação leve, com alimentos frios ou em temperatura ambiente, que causem menos desconforto para a criança”, detalha.

Prevenção: a melhor defesa
Por ser uma doença altamente contagiosa, a prevenção é a chave para reduzir a disseminação da síndrome mão-pé-boca. As principais medidas destacadas pela especialista foram:
– Higienização adequada das mãos: lavar bem as mãos com água e sabão, principalmente antes das refeições e após usar o banheiro;
– Limpeza de objetos e superfícies: brinquedos, chupetas, mamadeiras e utensílios devem ser higienizados com frequência;
– Higiene alimentar: lavar frutas, verduras e legumes antes de oferecê-los à criança;
– Isolamento temporário: crianças infectadas devem ser afastadas de ambientes escolares por pelo menos sete dias, para evitar a propagação do vírus.
Viroses em dias mais quentes
Pesadelo dos pais de bebês e crianças, as viroses nos períodos mais quentes exigem medidas de prevenção. O clima seco, com umidade do ar em níveis de alerta, contribui para o agravamento do cenário.
“As crianças infectadas tendem a ficar mais sonolentas, têm dificuldades para se alimentar e ficam com a língua seca. Vômitos, enjoos e diarreia são alguns dos sintomas. Se a criança apresentá-los, deve ser consultada por um pediatra”, afirma a pediatra Larissa Balbino.
A especialista recomenda ainda que os pais mantenham os filhos bem hidratados, aumentando a ingestão de água, além de evitar locais aglomerados e fechados, higienizar as mãos constantemente e manter uma alimentação saudável.



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