Responsável técnico de enfermagem do Hospital Cassems Campo Grande, Fábio trabalhou no tratamento e na cura de beneficiários Cassems contra o novo coronavírus
Por Sarah Santos/ Fotos: Messias Ferreira
A pandemia da Covid-19 impactou a realidade de toda a população. Nos hospitais, o movimento se tornou ainda mais intenso e os esforços voltaram-se para a recepção, a detecção, o tratamento e a cura de pacientes atingidos pela patologia. Uma unidade de saúde enfrentar um surto infeccioso é um grande desafio, pois, além do fluxo de atendimento já existente, é necessário adaptar a estrutura de trabalho para receber pacientes infectados e, ainda, proteger os profissionais da saúde.
A ansiedade e a saudade estiveram presentes, mas sempre buscávamos alternativas para lidar com esses sentimentos sem comprometer a qualidade do trabalho e sem deixar que os pacientes percebessem.
Fábio Doneida, responsável técnico de enfermagem
O responsável técnico de Enfermagem do Hospital Cassems Campo Grande, Fábio Doneida, vivenciou de perto esses dias intensos e compartilha a sua experiência.
Cassems: Como o corpo técnico do Hospital Cassems Campo Grande recebeu a notícia da pandemia do novo coronavírus?
No dia 11 de março, quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia de coronavírus. A classificação é dada a uma doença que se propaga ao redor do mundo rapidamente e de forma simultânea. No dia seguinte, convocamos as lideranças de Enfermagem para discutir e alinhar os processos de contingenciamento. A equipe encontrava-se ansiosa, a insegurança e o medo eram inevitáveis. Para isso, buscamos, desde o primeiro momento, ter cuidado com a saúde mental dos profissionais de saúde, com boas práticas para lidar com a situação.
Rapidamente, a diretoria foi estratégica em montar um comitê de crise, com profissionais competentes e com vontade para enfrentar a pandemia. O grupo norteou todo o processo da instituição em medidas técnicas e científicas.
Cassems: De que maneira o hospital recebeu e enfrentou a problemática dos sentimentos dos colaboradores?
Por estarmos enfrentando uma situação inusitada, inicialmente, sentia na equipe certa insegurança e ansiedade quanto ao que estaria por vir.
Então, diversas vezes realizamos momentos de reflexão em frente ao hospital, para dialogar e entender os sentimentos de cada um. Alguns colaboradores faziam as suas orações em grupo e isso ajudava a recarregar a esperança e trazer calmaria.
As palavras de motivação e a parceria entre funcionários trouxeram ânimo para a equipe.
Adotamos as medidas de realizar reuniões periódicas nos postos de Enfermagem, para levar atualizações e alinhar as posturas adotadas nas diferentes situações que surgiam, para manter a equipe abastecida de informações.
Cassems: Quais foram as medidas iniciais adotadas pelo Comitê de Crise no que tange à estrutura física, para lidar com a pandemia no hospital?
O Hospital Cassems Campo Grande passou por algumas mudanças, sempre direcionadas pelo comitê e pela diretoria, que teve papel fundamental no fortalecimento das equipes e no apoio nas decisões tomadas. Entre as estratégias, aumentamos em 50% a capacidade dos leitos adultos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Também levantamos um hospital de campanha para atender os pacientes com agravos respiratórios, realizar triagem para atendimentos de urgência e otimizar o atendimento das queixas respiratórias, aumentando em 80% a capacidade de acolhimento dessas demandas. Fizemos ainda um fluxo com sinalizações visuais para separar pacientes com suspeita e confirmação do coronavírus, para evitar o contágio de pessoas no ato de ir ao hospital.
Cassems: Após a sinalização da pandemia, foram adquiridos equipamentos para promover a segurança dos colaboradores e a efetividade do tratamento dos pacientes?

Fizemos a compra de mais equipamentos de ponta, que são referência em grandes centros de saúde e surgem como uma novidade no Estado. A Unidade de Terapia Intensiva também foi beneficiada, para o atendimento de pacientes com agravos da doença. Adquirimos equipamentos de pressão negativa com filtro EPA, com alta eficiência na separação de partículas, para termos mais eficácia e segurança nos tratamentos com beneficiários.
Cassems: Houve alterações no quadro de funcionários para lidar com o aumento no fluxo de pacientes que buscam atendimento no hospital?
Abrimos um processo seletivo específico para atender ao aumento das demandas no hospital. Então, fortalecemos a equipe assistencial e fizemos um investimento massivo na capacitação de antigos e novos colaboradores, para acolher esses casos com segurança e humanização. Abrimos um setor específico para internações de casos da Covid-19, com profissionais da saúde altamente treinados e preparados para lidar com uma situação de pandemia.
Também readequamos os setores em “áreas limpas” e “Covid-19”, para segurança dos pacientes que forem para o hospital durante o período da pandemia em decorrência de outras patologias. Para os profissionais da saúde que atenderam diretamente os pacientes com suspeita ou infectados, foi feito um ambiente para paramentação e desparamentação.
Cassems: No campo das emoções, como você e outros profissionais da saúde encararam essa realidade inusitada de pandemia?
Foi percebido que muitos estavam trabalhando de acordo com as exigências e a demanda, dando seu melhor, mas com tristeza no olhar. Os colaboradores sentiam por não estarem com as suas famílias e alguns funcionários encaminharam os seus filhos para casa de parentes, de maneira que fossem cuidados por pessoas de sua confiança, com medo da contaminação.
Durante o período de pandemia, aprendemos juntos sobre a necessidade de realmente trabalharmos em equipe e estarmos alinhados com nossos objetivos e comprometimentos. Nos momentos de altos e baixos das emoções, contamos com o apoio um do outro.
Mesmo sem poder abraçar e demonstrar afeto físico, trocávamos sorrisos e palavras de afeto e o nosso lema, em muitos momentos, foi “estamos juntos”.




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