Receber o diagnóstico de diabetes pode representar mudanças significativas no estilo de vida, mas com acompanhamento profissional e uma rotina de alimentação equilibrada, é possível se manter saudável sem abrir mão do prazer à mesa.
Segundo o Ministério da Saúde, diabetes é uma síndrome metabólica e multifatorial, caracterizada pela hiperglicemia crônica, ou seja, o aumento dos níveis de açúcar no sangue. Isso ocorre devido a falhas na produção ou ação da insulina e pode ser influenciado por fatores genéticos, biológicos e ambientais.
A nutricionista Melissa Andrade Ayache, coordenadora do programa Cozinha Experimental da Cassems, fala sobre os principais cuidados e ajustes alimentares após o diagnóstico de diabetes. “O primeiro passo é priorizar alimentos com baixo índice glicêmico e ricos em fibras, como grãos integrais, legumes, verduras e frutas, porque eles ajudam a controlar os níveis de glicose e promovem saciedade”, orienta a profissional.
Segundo a nutricionista, pacientes recém-diagnosticados devem adotar mudanças práticas no dia a dia, como manter uma boa hidratação, evitar pular refeições, organizar os horários das refeições e limitar o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas. A inclusão de proteínas magras também é fundamental para manter o equilíbrio nutricional e evitar picos glicêmicos.
“Outra ação é incluir fontes de proteína magra, como aves, peixes e ovos, e distribuir bem as refeições ao longo do dia para evitar picos glicêmicos. O controle das porções é essencial, assim como evitar alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas. A hidratação deve ser priorizada, preferindo sempre a água”, complementa Melissa.
Como ferramenta essencial para o controle da doença, Melissa reforça a importância do acompanhamento profissional. “Recomendo que o paciente procure um nutricionista para um plano alimentar individualizado, levando em conta suas necessidades e preferências. A educação nutricional é parte fundamental desse processo — entender rótulos, composições e porções ajuda a fazer escolhas mais conscientes. Além disso, o monitoramento da glicemia em resposta aos alimentos é uma ferramenta útil para ajustar a dieta conforme os resultados.”

Controle glicêmico a longo prazo
Embora a diabetes não tenha cura, é possível levar uma vida ativa e saudável com níveis seguros de glicose no sangue, desde que haja controle adequado para prevenir complicações graves.
Nesse processo, a alimentação é uma das principais aliadas. Mais do que apenas contar carboidratos, é fundamental equilibrar o cardápio, manter os horários das refeições e incluir atividades físicas na rotina, é o que explica a nutricionista. “Uma alimentação bem planejada e equilibrada reduz o risco de complicações associadas à diabetes e melhora a qualidade de vida. O acompanhamento regular com profissionais de saúde, como nutricionistas, pode reforçar esses hábitos alimentares saudáveis”, diz Melissa.
Alimentos como grãos integrais, legumes e vegetais com baixo índice glicêmico são grandes aliados, pois promovem uma liberação gradual de glicose na corrente sanguínea, evitando picos e quedas bruscas. “Outra forma eficaz de controlar a glicemia é distribuir a ingestão de carboidratos ao longo do dia, em várias pequenas refeições. Isso pode ajudar a manter os níveis de glicose mais estáveis”, orienta a profissional.
Carboidratos na alimentação do diabético
Uma das dúvidas mais comuns entre pacientes com diabetes é sobre o consumo de carboidratos. Para a Sociedade Brasileira de Diabetes, “o segredo está na relação entre a quantidade adequada do alimento e sua associação com o tratamento medicamentoso e que é fundamental o trabalho do nutricionista para a individualização do plano alimentar.”
A nutricionista da Cassems reforça que “os carboidratos são uma parte importante de uma dieta equilibrada, mesmo para quem tem diabetes. O importante é escolher os tipos certos e consumir em quantidades adequadas.”
A orientação é priorizar o equilíbrio e considerar os tipos de carboidratos em cada alimento.
Os carboidratos complexos que são encontrados em grãos integrais, legumes, frutas e vegetais, têm absorção mais lenta e promovem maior saciedade. Já os simples, como os presentes em pães feitos com farinha branca, doces e refrigerantes, causam elevações rápidas da glicose no sangue e devem ser consumidos com moderação.
Carboidratos complexos, por exemplo, estão presentes em grãos integrais, legumes, frutas e vegetais, que têm absorção mais lenta. Já os carboidratos simples, como os encontrados em pães feitos com farinha branca, doces e refrigerantes, devem ser consumidos com moderação.
“A chave é o controle da quantidade e a escolha adequada dos tipos de carboidratos e eles devem ser cuidadosamente escolhidos. Uma abordagem equilibrada, focando em carboidratos de qualidade em porções adequadas, é essencial para o manejo eficaz da diabetes,” reforça Melissa.
Erros alimentares mais comuns
Segundo Melissa, um dos principais equívocos cometidos por pacientes recém-diagnosticados é justamente cortar os carboidratos de forma radical. “Muitos pacientes acreditam que precisam excluir os carboidratos da dieta, e isso é errado e pode causar um desequilíbrio na alimentação”, alerta a nutricionista.
Outro erro comum destacado pela profissional é a ingestão de alimentos ultraprocessados, como salgadinhos e doces industrializados e refeições congeladas. “Esses produtos são ricos em açúcares, gorduras saturadas e sódio, o que pode dificultar o controle glicêmico”, destaca.
Ela também alerta para hábitos que podem comprometer o controle da doença, como pular o café da manhã, não controlar as porções e consumir bebidas açucaradas. “Falta de planejamento alimentar e priorização de bebidas açucaradas são outros pontos críticos. Planejar as refeições e dar preferência à água ou chás sem açúcar faz toda a diferença. E, por fim, poucos monitoram a resposta da glicemia aos alimentos, o que impede ajustes personalizados na dieta,” esclarece.
Saúde e prazer na alimentação do diabético
Mesmo com todas as recomendações, Melissa reforça que uma alimentação saudável não precisa ser sinônimo de privação. Pelo contrário, é possível manter o prazer à mesa com escolhas equilibradas e preparos criativos.
“O segredo está na escolha de alimentos saborosos e saudáveis, no uso de ervas e temperos naturais e no preparo das refeições em casa, o que fortalece a relação com o alimento. A apresentação dos pratos também estimula o apetite e torna a refeição mais prazerosa,” explica.
Não há problema em aproveitar uma comidinha mais gostosa, mas isso vale especialmente em situações fora da rotina, desde que haja moderação. “Alimentação saudável não precisa ser necessariamente privativa, é possível permitir momentos de indulgência. Que são aquelas ocasiões especiais em que você se permite uma refeição ou sobremesa menos saudável, mas atenção prefira porções controladas, porque ela ajuda a manter os níveis de glicose sob controle sem sacrificar a satisfação.”

Cozinha Experimental Cassems
Coordenado pela nutricionista Melissa Andrade Ayache, o programa Cozinha Experimental oferece cursos e oficinas culinárias voltados para os beneficiários da Cassems. O projeto, iniciado em 2012, tem como objetivo mostrar que é possível manter uma alimentação saudável, prática e saborosa, sem deixar de lado o valor nutricional e a cultura alimentar.Para informações sobre o programa em Campo Grande, podem ser obtidas pelos telefones
(67) 3382-8584 e (67) 99168-5702 ou email programadeprevencao@cassems.com.br. Em Dourados, os contatos são (67) 3033-8350 e (67) 98403-4450.



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