Exercitando o cérebro

Considerado uma das principais ferramentas do nosso corpo, esse órgão contém bilhões de neurônios inter- conectados por trilhões de sinapses, conforme explica a médica neurologista Aline Braga. *É com ele que vemos, ouvimos, sentimos, ou seja, absorvemos e interpretamos o mundo que está a nossa volta. E é com ele que nos expressamos por meio da linguagem verbal, não verbal e os movimentos corporais. Como esse órgão rege todas essas atividades, precisamos nos preocupar com a manutenção da sua saúde plena, que só será atingida com um pouco de dedicação da nossa parte”.
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Considerado uma das principais ferramentas do nosso corpo, esse órgão contém bilhões de neurônios inter-
conectados por trilhões de sinapses, conforme explica a médica neurologista Aline Braga. *É com ele que vemos, ouvimos, sentimos, ou seja, absorvemos e interpretamos o mundo que está a nossa volta. E é com ele que nos expressamos por meio da linguagem verbal, não verbal e os movimentos corporais. Como esse órgão rege todas essas atividades, precisamos nos preocupar com a manutenção da sua saúde plena, que só será atingida com um pouco de dedicação da nossa parte”.

E o que ocorre quando não cuidamos do cérebro? À probabilidade de esquecer das coisas fica maior, falta agilidade no raciocínio e a dificuldade de aprender algo também aumenta, como, por exemplo, manejar novos aparelhos celutares, máquina de lavar, entre outros utensílios.

“Sabemos, ainda, que o cérebro é muito condicionável. Assim, a quanto menos atividade desafiante ele é
exposto, menos capaz ele fica de solucionar problemas complexos, interferindo na nossa capacidade de trabalho e na resolução de questões do cotidiano, como a administração das finanças; explica Aline. Além disso, com o passar dos anos, nossa rede de neurônios vai sofrendo mais alterações que qualquer outra parte do corpo e o cérebro, em razão do envelhecimento, pode ser afetado por doenças neurodegenerativas, como a de Alzheimer. Por isso, a ginástica do cérebro deve ser constante.

Até mesmo no contexto de pandemia, em que o isolamento social afetou a saúde mental de muitas pessoas,
ela é um bom recurso para ajudar a melhorar a qualidade de vida e o bem-estar com esse momento, avalia a neurologista. “A realização de atividades voltadas para a memória, raciocínio, atenção complexa e linguagem ajudam a manter o cérebro ativo, mantendo uma boa performance cognitiva, alcançando melhora da memória, do foco e da concentração, da motivação e da criatividade. Mas, também, promove redução da ansiedade, melhora do humor, autoestima e autocuidado. Ela ainda pode estimular a interação entre os familiares, visto que muitas dessas atividades podem ser modificadas de forma a serem aplicadas em grupo, refletindo no convívio familiar salutar”.

A atividade física, especialmente a aeróbica, é uma grande aliada da saúde cerebral, pois, além de proporcio-
nar bem-estar físico e proteção cardiovascular, ela ajuda a manter o cérebro ativo e previne a perda neuronal.

De acordo com a Aline, estudos com grupos de idosos que avaliaram o volume de áreas do cérebro relacionadas à memória e performance cognitiva mostraram que pessoas que mantêm atividade física após os 60 anos têm maior volume nessas áreas, demonstrando a importância dessa modalidade.

“Das medidas que devem ser aplicadas para a manutenção da saúde do cérebro, a atividade física foi uma das
mais estudadas. Atualmente, é o tipo de malhação cerebral para a qual temos mais dados positivos. Alguns desses estudos mostraram que as mulheres que estavam nos grupos comparativos sem exercícios físicos, ou apenas com alongamentos, tiveram maior declínio cognitivo ao longo do tempo. Outro trabalho, feito em 2010, revelou que andar na esteira, bicicleta ergométrica ou elíptico por seis meses melhorou as funções executivas dos participantes”, conta a neurologista.

A especialista ainda comenta que a ciência já comprovou as vantagens da caminhada para o cérebro. Um dos
estudos mostrou que esse exercício, num ritmo moderado a intenso, proporcionou maior volume do hipocampo, uma parte do cérebro que processa a memória. “Então, a dica é fazer caminhada, corrida, natação, dança, ginástica ou outra atividade aeróbica de que se goste por pelo menos 40 minutos, três vezes na semana. Musculação e yoga são outras modalidades cujos benefícios também podem ser sentidos”, orienta a médica.

O grau de escolaridade é outro fator que exerce influência sobre o cérebro. Quanto maior for a escolaridade do indivíduo, a probabilidade de desenvolver quadros relacionados à demência se reduz. Por isso, estudiosos reforçam a importância de atividades que promovam a aprendizagem de novos conteúdos e que resgatem conhecimentos já adquiridos.

Para praticar no dia a dia, Aline Braga indica uma série de atividades. Para treinar a memória verbal, a linguagem e a comunicação, estudar novos idiomas é uma excelente estratégia e aprender a tocar um instrumento musical, por exemplo, trabalhará a capacidade de concentração, raciocinio e a melhora da audição.

Para quem deseja desenvolver esses e outros beneficios, como a memória imediata, recente e remota, a su-
gestão da médica é apostar nos jogos de tabuleiro, caça-palavras, quebra-cabeças, dominó, palavras-cruzadas e sudoku. A memória ainda pode ser estimulada com hábitos simples, como tentar lembrar a lista de compras do mercado e só no momento de ir para o caixa conferir se já colocou tudo o que precisava no carrinho.

Para estimular a concentração, a rapidez de processamento e a capacidade de fazer múltiplas tarefas, por
exemplo, a médica sugere instigar o cérebro com jogos de estratégia no computador. Já, assistir a um filme ou ler um livro e depois elaborar um resumo, ou contá-lo a alguém, ajuda a desenvolver as habilidades de interpretação e transformação do conteúdo recebido, além da memorização. Até mesmo atividades corriqueiras, como fazer caminhos diferentes ao se deslocar para o trabalho, mercado e outros locais colabora para manter as habilidades visuoespaciais e visuoconstrutivas. Viajar, tricotar, fazer jardinagem, cursos de pintura ou artesanato também auxiliam, comprovadamente, na saúde cerebral.

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