A ampliação da formação médica especializada tem se tornado um dos pilares para enfrentar os desafios da oncologia no Brasil, especialmente diante da crescente complexidade dos tratamentos e da necessidade de cuidado integral ao paciente. Em Mato Grosso do Sul, a Cassems avança nesse cenário ao implantar programas de residência em oncologia em Dourados, integrando ensino, pesquisa e assistência.
Nesta entrevista, o diretor do Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP) da Cassems, Fabricio Colacino, detalha os objetivos da iniciativa, os desafios na formação de especialistas e os impactos esperados para a rede de atenção oncológica no estado.
Qual é o objetivo estratégico da Cassems ao implantar as novas residências em oncologia e como essa iniciativa se conecta às demandas atuais da saúde em Mato Grosso do Sul?
O objetivo estratégico da Cassems ao incorporar ensino e pesquisa, por meio dos programas de residência médica em oncologia na cidade de Dourados, é fortalecer as boas práticas de uma medicina humanizada que a instituição já adota. Essa integração faz com que os beneficiários e pacientes saiam ganhando, porque, onde há ensino e pesquisa associados a uma assistência humanizada de qualidade, há atualização constante em todas as etapas do tratamento, tanto em relação às melhores técnicas quanto à incorporação de novas tecnologias. Portanto, o programa de residência vem a somar nesse sentido.
O que diferencia os programas de residência em oncologia (clínica, cirúrgica e multiprofissional) e por que essa abordagem integrada é importante para o avanço do cuidado oncológico no estado?
Na verdade, elas se integram — e uma complementa a outra — na medida em que a oncologia se faz de forma multimodal, ou seja, são diferentes modalidades que, quando integradas, compõem a jornada do paciente. Portanto, ter programas de residência nessas três áreas nos torna autossuficientes para a formação de novos profissionais, que podem, como “prata da casa”, ir complementando o quadro de docentes e especialistas, atendendo às necessidades da operadora.
Considerando o cenário oncológico de Mato Grosso do Sul, quais são hoje os principais desafios na formação de especialistas e como as novas residências ajudam a enfrentá-los?
Os desafios passam por ensinar as boas práticas da especialidade, aliadas a um atendimento humanizado, que é fundamental. É preciso garantir que o acolhimento do paciente seja exemplar, sempre associado às técnicas mais atuais, alinhadas ao que há de mais avançado sendo realizado no mundo todo.
Quais competências e perfis profissionais a Cassems pretende desenvolver por meio dessas residências, especialmente diante da crescente complexidade dos tratamentos oncológicos?
Sem dúvida, buscamos formar profissionais com excelência técnica, que ofereçam um acolhimento exemplar e um atendimento verdadeiramente humanizado, respeitando o paciente em sua integralidade. Além disso, queremos que desenvolvam um trabalho contínuo associado ao ensino e à pesquisa. Portanto, nós, do NEP (Núcleo de Ensino e Pesquisa) temos essa missão, visão e objetivo de formar profissionais completos, para que os pacientes recebam um atendimento integral e de qualidade.
Como a Cassems garante a qualidade e a excelência na formação desses residentes, considerando a complexidade da oncologia e a necessidade de alinhamento com protocolos nacionais e internacionais?
A Cassems garante essa qualidade ao adotar os melhores protocolos realizados nos melhores centros de oncologia, tanto no Brasil quanto no exterior, aplicando-os também aos nossos pacientes dentro de um padrão ouro de atendimento. Nessa transferência de conhecimento, conseguimos repassar as técnicas mais avançadas, aliadas ao acolhimento e aos protocolos mais atuais, para que sejam efetivamente aplicados na ponta, garantindo melhores taxas de sobrevida e cura aos pacientes.
Que impactos concretos essas novas residências podem gerar, a curto e médio prazo, para o acesso, a qualidade do atendimento e a organização da rede de atenção oncológica em Mato Grosso do Sul?
Sem dúvida, os programas de residência médica, considerando as três modalidades: clínica, cirúrgica e multiprofissional, agregam muita qualidade, porque levam protocolos padrão ouro para a ponta do atendimento, tanto para a população do sistema único de saúde quanto para os beneficiários da Cassems. Em Dourados, onde os programas estão implantados, isso amplia a capacidade de oferecer à população os melhores tratamentos, com um atendimento humanizado e acolhedor.
Cassems transforma Dourados em polo de formação em oncologia
Dourados, já reconhecida como “cidade universitária”, passa a ocupar um novo lugar no mapa da saúde de Mato Grosso do Sul: o de formação de especialistas em uma das áreas mais complexas da medicina. Com a implantação da primeira Residência Multiprofissional em Oncologia do estado e de dois novos programas de Residências Médicas em Oncologia Clínica e Cirúrgica, o Hospital Cassems de Dourados consolida-se como centro de ensino e referência assistencial.
A iniciativa marca uma mudança de patamar. Mais do que formar bacharéis, o município, com apoio da Cassems, passa a contribuir diretamente para a qualificação de profissionais capazes de atuar em alta complexidade, fortalecendo a rede de atenção oncológica em todo o estado.
O avanço ocorre em um cenário desafiador: em Mato Grosso do Sul, as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACONs) concentram cerca de 99% da produção oncológica. Nesse contexto, o Hospital Cassems de Dourados já responde por aproximadamente 20% da demanda da segunda maior região do estado, ampliando o acesso e descentralizando o cuidado.
Ao integrar formação médica e multiprofissional, com atuação de áreas como enfermagem, fisioterapia, nutrição e psicologia, o novo modelo fortalece o cuidado integral ao paciente e aproxima ensino e prática assistencial. O resultado é duplo: qualifica profissionais e, ao mesmo tempo, eleva o padrão de atendimento oferecido à população.
Mais do que um avanço institucional, a iniciativa representa um ganho concreto para a saúde pública e suplementar em Mato Grosso do Sul, posicionando Dourados como um polo estratégico na formação de especialistas e na ampliação do acesso ao tratamento oncológico.