Judicialização no Brasil e o papel das operadoras de saúde na resolução do problema

Judicialização no Brasil e o papel das operadoras de saúde na resolução do problema
Cleber Tejada – Diretor jurídico da Cassems
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A judicialização da saúde no Brasil é um fenômeno crescente que impacta diretamente o sistema de saúde, tanto público quanto privado. O termo refere-se à busca pela Justiça para garantir o acesso a tratamentos, medicamentos e procedimentos, muitas vezes negados pelos planos de saúde ou pelo sistema público. No entanto, essa prática, que pode parecer uma solução rápida para os indivíduos, tem consequências amplas e profundas, especialmente para a sustentabilidade do sistema.

A judicialização, ao se tornar um recurso recorrente para obter tratamentos, acaba onerando significativamente as operadoras de saúde. O impacto financeiro é expressivo, pois obriga as operadoras a destinarem recursos que poderiam ser aplicados na melhoria dos serviços, em inovação e no atendimento. Ao contrário de melhorar o acesso, essa prática pode contribuir para desequilíbrios econômicos, prejudicando o mercado como um todo.

Em resposta a esse cenário, as operadoras de saúde podem adotar diversas iniciativas para minimizar os impactos da judicialização. Entre essas iniciativas estão a implementação de programas preventivos, investimento em tecnologia para otimizar o atendimento e a criação de comitês de conciliação que atuem antes de qualquer litígio. Essas ações não apenas contribuem para a redução dos processos judiciais, mas também fortalecem a relação entre operadora e beneficiário.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) também exerce um papel fundamental na redução da judicialização, por meio da revisão periódica do rol de procedimentos. É essencial que o rol acompanhe a evolução tecnológica, garantindo que as operadoras tenham previsibilidade e possam adequar suas coberturas. Além disso, a ANS deve monitorar as demandas judiciais, buscando soluções regulatórias para os problemas recorrentes.

Entre as medidas proativas que podem ser implementadas para evitar a judicialização, podemos citar o aprimoramento da gestão de recursos assistenciais, a comunicação clara com os beneficiários sobre coberturas e a colaboração com o poder público. Esses exemplos demonstram que é possível mitigar os impactos da judicialização por meio de ações estratégicas e coordenadas.

A judicialização da saúde, embora possa ser uma solução individual no curto prazo, traz consequências negativas a longo prazo. Ao sobrecarregar financeiramente as operadoras, ela torna o sistema mais oneroso, dificultando a implementação de melhorias que poderiam beneficiar todos os beneficiários. É necessário que operadoras, poder público e Judiciário atuem de forma colaborativa para reduzir a necessidade de judicialização e garantir um sistema de saúde mais sustentável e eficiente.

Muitas medidas têm sido tomadas com esse objetivo e, mais recentemente, seguindo esse norte, a Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul (Cassems) firmou um termo de cooperação técnica com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), por meio dos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) e do Comitê Estadual do Fórum Nacional da Saúde.

Por intermédio desta medida, os usuários da saúde suplementar agora também poderão fazer uso de ferramentas digitais que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul desenvolveu para evitar a judicialização dos conflitos entre as partes, por meio do site ou pelo aplicativo TJMS Mobile.

Com a nova ferramenta digital, o usuário poderá apresentar o seu pedido relacionado a tratamento de saúde que receberá uma resposta sobre o andamento do requerimento em até três dias úteis.A ferramenta também pode auxiliar na resolução de conflitos, já que é possível solicitar ajuda para casos específicos, como pedidos de medicamentos não atendidos pelo SUS ou pela saúde suplementar, pedidos de cirurgia, entre outros. O Tribunal de Justiça disponibilizou uma equipe de mediadores para intermediar as partes e, assim, evitar a judicialização de processos.

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