Caracterizada pela interrupção permanente da menstruação, a qual é reconhecida depois de 12 meses consecutivos de ausência do ciclo, a menopausa ocorre durante o climatério, o período de vida da mulher compreendido entre o fim da fase reprodutora até a velhice.
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Médica ginecologista esclarece as principais dúvidas sobre uma das fases mais importantes na vida da mulher

Por Cidiana Pellegrin/ Foto: Banco de Imagem

A chegada da menopausa vem acompanhada de diversas mudanças no organismo feminino. Caracterizada pela interrupção permanente da menstruação, a qual é reconhecida depois de 12 meses consecutivos de ausência do ciclo, a menopausa ocorre durante o climatério, o período de vida da mulher compreendido entre o fim da fase reprodutora até a velhice. 

A menopausa ocorre porque os ovários entraram em falência, ou seja, deixaram de cumprir seu papel de produtores de hormônios (estrogênio, progestagênio e testosterona). Essa diminuição provoca modificações no corpo da mulher, como alterações na pele da vulva e da vagina – o que chamamos de atrofia genital –, alterações nos ossos, no sistema nervoso, alterações de humor, qualidade do sono, etc.”, esclarece a médica ginecologista Maria Eugenia Faria Tavares. Embora o climatério e a menopausa sejam eventos fisiológicos na biologia da mulher, a profissional ressalta que o aparecimento dos sintomas “dependerá não somente de variações hormonais próprias desse período, mas também do estilo de vida, entre outros fatores”.

Apesar de ser definida por muitas mulheres como uma fase complicada e delicada, a menopausa deve ser encarada como um processo natural da vida. O ginecologista é um grande aliado nesse momento, sendo o especialista indicado para esclarecer todas as dúvidas, fazer as avaliações adequadas e analisar a necessidade ou não de indicar a reposição hormonal, por exemplo. 

A fim de auxiliar nesta importante etapa, a médica ginecologista Maria Eugenia Faria Tavares ainda desmistifica outros aspectos desse assunto.

Os sinais da menopausa começam após os 50 anos?  

Mito.

Os sintomas podem surgir alguns anos antes da menopausa, uma fase nomeada pelos médicos como climatério pré-menopausa ou perimenopausa. Nesse período, a mulher continua tendo os ciclos menstruais, porém, de forma irregular. “As ondas de calor podem surgir de forma esporádica e podem ocorrer alteração no sono, principalmente no período pré-menstrual. O climatério pode variar dos 40 aos 65 anos e a menopausa pode ocorrer a qualquer momento”, explica a médica ginecologista Maria Eugenia Faria Tavares.

A menopausa pode alterar o humor e provocar insônia, depressão e ansiedade? 

Verdade.

Além dessas características, diminuição da autoestima, irritabilidade, labilidade emocional, com choro fácil, tristeza, dificuldade de se concentrar e de memorizar são alguns sintomas psíquicos que podem aparecer neste período. De acordo com a ginecologista, essa situação corresponde aos efeitos da deficiência do estrogênio no cérebro, mas não significa que todos esses problemas estarão presentes em todas as mulheres. 

Toda mulher sentirá mais calor na menopausa?

Mito.

Cada mulher pode apresentar reações diferentes no climatério. Existem aquelas que não terão nenhum sintoma e outras que sofrerão com todos os descritos na literatura.

A  menopausa causa diminuição da libido?

Verdade.

“Quando falamos de libido e de interesse sexual, existem muitos fatores envolvidos e o relacionamento é um aspecto muito relevante. Ter um (a) parceiro (a) interessante e interessado (a) faz toda a diferença. Porém, a diminuição dos hormônios sexuais pode interferir negativamente no desejo, reduzindo o interesse sexual. Consequentemente, a resposta de excitação e a lubrificação vaginal ficam comprometidas, deixando a vagina seca, o que provoca dor na relação sexual”, explica a ginecologista.  

A incontinência urinária pode aparecer na menopausa?  

Verdade.

O problema pode surgir em decorrência da atrofia genital, que por sua vez é consequência da falta de estrogênio. “Isso torna a mucosa vaginal mais delgada, propiciando prolapsos genitais, além de sintomas como ressecamento vaginal, sangramento e dor nas relações sexuais e sintomas uretrais como disúria, aumento da frequência e urgência miccional”, detalha a médica.

A menopausa pode gerar mudanças na pele, unha e cabelos?

Verdade.

Durante o climatério, todas as camadas da pele sofrem mudanças, que variam de acordo com as características genéticas individuais e também da influência de agentes externos e internos que impactaram a mulher ao longo de sua vida. A diminuição da produção de colágeno ocorre em virtude dos baixos níveis de estrogênios e, nessa fase, a mulher também sofre com o ressecamento da pele, que fica mais fina e com diminuição da capacidade de renovação da camada córnea, o que dificulta a hidratação. Outro problema comum na menopausa é a perda da elasticidade, o que favorece o aparecimento de rugas.

Todas as mulheres que estão em fase de menopausa precisam de reposição hormonal?

Mito.

Há mulheres que não sentem sintomas importantes e algumas não sentem nada, ou seja, não há uma uniformidade nas reações no climatério. A reposição hormonal deve ser questionada em alguns casos, sendo primordial avaliar os prós e os contras com o especialista. A médica Maria Eugenia destaca que também existem situações em que a reposição é contraindicada, como nos casos de mulheres com histórico de câncer de mama, de trombose venosa, de lúpus eritematoso sistêmico, entre outras doenças.  

Reposição hormonal é o único tratamento para a menopausa?

Mito.

“A reposição hormonal é o tipo de tratamento que mais se aproxima da origem do problema, ou seja, ela tenta repor o que o corpo da mulher não produz mais, que são os hormônios. É o mais específico. Mas existem outras linhas de tratamento, como os fitoterápicos, a acupuntura, a homeopatia. Esses últimos não são específicos, mas algumas mulheres se beneficiam do seu uso. A modificação de alguns hábitos de vida também auxilia no tratamento”, revela a médica. 

Alimentação saudável e atividade física ajudam a aliviar os sintomas dessa fase?

Verdade.

De acordo com a ginecologista Maria Eugenia, já existem estudos que sinalizam que “a dieta pode interferir na idade em que a produção hormonal cessa, indicando que nas mulheres que comem peixes e legumes frescos todos os dias a menopausa acontece até três anos mais tarde do que nas demais mulheres. E mulheres com um cardápio rico em carboidratos simples (como massa, arroz, entre outros), por sua vez, têm a menopausa antecipada em até um ano e meio”. 

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