Por Cidiana Pellegrin
Sentar-se à frente do computador por horas, dia após dia, parece inofensivo — mas não é. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é considerado um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares. E dentro dos escritórios, esse comportamento começa com algo simples: ficar tempo demais na mesma posição.
De acordo com o fisioterapeuta da Cassems Rodrigo Garcia, o corpo humano foi feito para o movimento — não para a imobilidade. “Quando a gente não se mexe, os músculos perdem resistência, e aí qualquer postura errada já pode causar dor ou até lesão”, explica.
Diversos estudos demonstram que pessoas com comportamento sedentário apresentam maior prevalência de dores musculoesqueléticas, especialmente em regiões como pescoço, ombros e lombar. O tempo prolongado sentado, especialmente associado ao uso de telas, aumenta significativamente o risco dessas dores.
Ginástica laboral: o “pit stop” do corpo
Uma das maneiras mais simples de combater o sedentarismo no ambiente de trabalho é a ginástica laboral — pequenos intervalos com exercícios leves que ativam a circulação, aliviam tensões e melhoram o humor. “É basicamente um pit stop no meio do expediente. Uns minutinhos que fazem diferença”, resume Rodrigo.
A ginástica laboral pode levar à redução de queixas de dor nas costas e a melhoria da postura entre trabalhadores. Para praticá-la, não é preciso trocar de roupa nem sair da sala. O fisioterapeuta lista alguns alongamentos simples que podem ser feitos no próprio posto de trabalho:
- Pescoço: puxe a cabeça devagar para o lado, para frente e para trás.
- Ombros: leve um braço estendido à frente do corpo e puxe com a outra mão.
- Lombar: em pé, incline o corpo para frente, tentando alcançar os pés.
“Segure cada posição de 15 a 20 segundos e pronto, já ajuda muito!”, orienta. Segundo ele, o ideal é realizar pausas entre 5 e 15 minutos a cada duas ou três horas. O importante, mais do que o tempo, é criar o hábito.
Além do trabalho
Fora do expediente, o corpo também precisa de movimento. Caminhar, pedalar ou fazer musculação ajuda a melhorar o humor, o sono e até a produtividade. “Cuidar do corpo é cuidar da mente. Quem se movimenta trabalha melhor, pensa melhor e sente menos dor. No fim das contas, o movimento é o melhor remédio”, reforça o fisioterapeuta.
Para quem já sente dores nas costas, ombros ou pescoço, ele alerta: o primeiro passo é procurar um profissional. “Na maioria das vezes, o sedentarismo é o vilão, mas é importante descobrir a causa antes de começar qualquer rotina de exercícios por conta própria.”
Um movimento que pode virar cultura
Muitas instituições públicas e privadas já incorporaram a ginástica laboral como parte da rotina dos colaboradores. Para Rodrigo, o incentivo deve vir de cima. “O segredo é transformar em rotina. Quando a gestão abraça a ideia e mostra os resultados, todo mundo participa. E quando todo mundo participa, vira cultura.”
Exemplo que inspira
Servidores se movimentam no trabalho
Em Mato Grosso do Sul, um projeto da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), em parceria com a Agesul, mostra que pequenas pausas podem transformar a rotina de trabalho.
A iniciativa de ginástica laboral, desenvolvida com acompanhamento de profissionais de Educação Física, inclui alongamentos, exercícios respiratórios e dinâmicas de relaxamento que duram poucos minutos, mas já trouxeram resultados perceptíveis.
De acordo com a secretaria, os servidores relatam melhor disposição física e mental, redução de dores musculares e mais integração entre as equipes. A atividade também reforça a importância do cuidado com a saúde no ambiente de trabalho público.


