O Herpes-Zóster, popurlamente conhecido como cobreiro, é causado pelo mesmo vírus da catapora. Após desenvolver catapora, o que normalmente acontece na infância, o vírus permanece adormecido no sistema nervoso ao longo da medula espinhal do indivíduo. Quando há queda da imunidade, pode ocorrer a reativação do vírus e o desenvolvimento de herpes-zóster.
O principal sintoma em adultos é a dor intensa na extensão do nervo da medula espinhal até a pele, que pode permanecer mesmo após a cura das lesões da pele. É a chamada neuralgia pós-herpética. Na maioria das vezes, essa neuralgia se resolve nos primeiros três meses, mas, em alguns casos, pode persistir por anos.Para sanar algumas dúvidas sobre a doença, a médica ginecologista e obstetra Maria Auxiliadora Budib responde às perguntas a seguir.
Quem pode ter a doença?
Estudos epidemiológicos demonstram que 95% dos adultos já foram expostos ao vírus da varicela-zóster, que é o responsável pela catapora e também pelo herpes-zóster. Isso quer dizer que quase todas as pessoas estão suscetíveis ao herpes-zóster.
O herpes-zóster é uma doença grave?
No Brasil, a cada ano, registram-se cerca de 10.000 hospitalizações no SUS por varicela e herpes-zóster. A taxa de mortalidade por complicações em adultos aumenta a partir dos 50 anos de idade. Até duas semanas antes do aparecimento das bolhas na pele, podem ocorrer sintomas específicos como mal-estar, dor localizada em um dos lados do corpo, ardência e perda de sensibilidade. Uma área
vermelha bem delimitada, com pequenas bolhas, surge então no local da dor, principalmente na região do tórax, abdome e rosto (perto dos olhos) e permanece por 7 a 10 dias. Após isso, as bolhas rompem-se, fundem-se, secam e formam crostas. Esse quadro completo dura cerca de um mês.
Quais as complicações que essa doença pode trazer?
Das complicações do herpes-zóster, a mais comum é a neuralgia pós-herpética, ou seja, a dor crônica. Ela se manifesta após o período agudo da doença e pode ser de manejo difícil e refratário ao tratamento, com duração de pelo menos três meses, persistindo por anos. Existe impacto sério na qualidade de vida das pessoas, causando fadiga crônica, distúrbios do sono, depressão, anorexia, perda de peso e isolamento social. O herpes-zóster ainda pode aumentar o risco de acidente cerebral vascular e o desenvolvimento de uma síndrome coronariana.
Qual o tratamento para o herpes-zóster?
Para o tratamento do episódio agudo de herpes-zóster são utilizados, em geral, medicamentos antivirais, na tentativa de diminuir o tempo, o nível de gravidade e as complicações, analgésicos para reduzir a dor e corticosteroides para reduzir o processo inflamatório.
Qual a melhor forma de prevenção do herpes-zóster?
Desde março de 2014, está disponível a vacina para prevenir o herpes-zóster no Brasil. Essa é dose única e indicada a indivíduos acima dos 50 anos de idade para prevenção do herpes-zóster, prevenção de neuralgia pós-herpética (NPH) e redução da dor aguda e crônica associada ao herpes-zóster.
E quem já teve o herpes-zóster pode tomar essa vacina?
O Acip (Advisory Committee on Immunization Practices), importante comitê de imunização, recomenda que, independentemente do histórico de herpes-zóster, o indivíduo seja vacinado, já que existe a possibilidade de novo episódio da doença. O ideal é aguardar um período de um ano após o episódio da doença.


