Ortopedista pediátrico da Cassems destaca os principais problemas que afetam o sistema locomotor e esclarece dúvidas sobre o assunto
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Por Francielle Floriano

Andar na ponta dos pés, mancar sem causa aparente, resmungar ou ter queixas de dor ao se movimentar são indicativos de que a criança precisa ser avaliada por um ortopedista pediátrico, profissional especializado na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de lesões, malformações congênitas, problemas de postura, distúrbios do crescimento e fraturas do sistema musculoesquelético de crianças e adolescentes.

Durante o pré-natal, algumas doenças podem ser identificadas ainda no útero e podem ser acompanhadas por esse especialista durante a gestação e após o nascimento. Um dos benefícios da consulta com um ortopedista pediátrico é a detecção precoce e o tratamento de doenças na infância, pois os ossos e a estrutura muscular continuam em formação.

O ortopedista pediátrico Claudio Saab Junior esclarece as principais dúvidas sobre o assunto e lista as doenças ortopédicas mais comuns:

Pé torto congênito: caracteriza-se pelos bebês que nascem com os pés virados para dentro. É uma má formação congênita que se desenvolve no período da gestação. Segundo a Revista Brasileira de Ortopedia (RBO), a condição afeta aproximadamente um bebê a cada 1.000 nascidos vivos. O tratamento é feito logo após o nascimento e consiste na utilização de gessos, a fim de atingir a correção.

Pé chato: essa condição acontece quando há uma diminuição do arco plantar, ou seja, quando o arco e a sola do pé estão achatados de maneira “anormal”, podendo causar fadiga, dores e tensão. Normalmente, o pé chato não causa grandes problemas, porém é fundamental levar a criança a um ortopedista infantil ao notar que há a presença de dores constantes ou se for observada uma perda da curvatura dos pés. Só há necessidade de tratar o pé chato quando existe muita calosidade ou dor. Alguns casos podem precisar de reabilitação com fisioterapia e alongamentos para reforçar os músculos. A cirurgia só é recomendada se o quadro for grave, geralmente associado a deformidades.

Andar na ponta dos pés: quando as crianças estão aprendendo a andar, esse movimento é comum. No entanto, se o comportamento persistir após os 2 anos de idade, é importante levar a criança ao médico, a fim de investigar se há um diagnóstico para essa condição. Existem várias causas possíveis para o andar na ponta dos pés em crianças, os mais comuns incluem hábito ou preferência, atraso no desenvolvimento motor e rigidez muscular. Nesses casos, incentive o uso adequado do calcanhar. Essa repetição constante ajudará a criar uma consciência da pisada correta. Exercícios de alongamento dos músculos da panturrilha podem ajudar a melhorar a flexibilidade e a amplitude de movimento. Se você tiver dúvidas ou sentir que seu filho não está progredindo, é aconselhável consultar um ortopedista.

Displasia do quadril: é uma luxação congênita em que o bebê nasce com uma alteração no encaixe entre o fêmur e o osso do quadril. O tratamento é feito com o uso de um suspensório especial, que se prende à região torácica e às pernas do bebê.

Osteomielite: o problema é causado por uma infecção bacteriana, a qual causa um quadro inflamatório nos ossos. Febre, dor e inchaço na região afetada são os principais sintomas. O tratamento é feito com o uso de antibióticos.

Doenças traumáticas: nesse grupo estão inclusas as luxações, entorses, distensões e fraturas. O recomentado é levar a criança a um ortopedista quanto antes. Nos casos de contusão, são utilizados analgésicos e gelo. Quando os exames de imagem confirmam fratura, a criança deve ser imobilizada e receber remédios para controle da dor. Fraturas mais simples são tratadas com gesso e as mais graves com cirurgia. Em alguns casos, após o tratamento é necessário fazer fisioterapia. Além do tratamento da fase aguda da fratura, idealmente, as crianças devem ser monitoradas pelo ortopedista para avaliar o crescimento e o desenvolvimento do osso afetado.

Paralisia cerebral: neste caso, o tratamento é multidisciplinar, sendo a ortopedia uma das especialidades indicadas. A paralisia cerebral afeta a criança desde o período da gravidez até os seus dois anos. Por se tratar de uma lesão no cérebro, a mobilidade e a marcha acabam sendo afetadas, por isso, é importante procurar um ortopedista infantil como parte do tratamento.

Quando procurar um ortopedista infantil?

Claudio alerta os pais e responsáveis sobre a importância de estar atento a qualquer sintoma ou alteração nos movimentos da criança, ou mesmo caso ela tenha nascido com alguma alteração.

“Para cada patologia, temos recomendações específicas. Muitas delas são identificadas pelo pediatra durante o acompanhamento periódico. Recomenda-se que a criança seja avaliada por um ortopedista pediátrico ao notar mudanças na marcha, na coluna, diferença na altura dos ombros, encurtamento ou deformidades dos membros e dores musculares ou ósseas. Em geral, qualquer queixa no sistema locomotor da criança que cause alterações na qualidade de vida pode ser avaliada pelo ortopedista”, esclarece o profissional.

Recomendações e cuidados

Há problemas ortopédicos infantis que se fazem presentes desde o nascimento, no entanto alguns deles podem acontecer por descuido. Por isso, algumas dicas do especialista ajudam a prevenir transtornos.

“É importante evitar deixar materiais ou objetos perigosos próximos à criança. Além disso, ela deve sempre usar calçados confortáveis e que se encaixam bem em seus pés. Para reduzir problemas posturais e na coluna, deve-se utilizar uma mochila de tamanho adequado e sem muito peso. Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Pediátrica, o peso da mochila não deve passar de 10% a 20% do peso corporal da criança”, orienta Claudio.

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