Os riscos do açúcar

Cada vez mais cedo, as crianças estão sendo introduzidas no universo do açúcar. À exposição crescente a refrigerantes, biscoitos, balas, sorvetes, achocolatados, entre outros produtos industrializados, ou às preparações caseiras açucaradas tem ajudado a viciar o paladar no sabor adocicado e acaba sabotando a alimentação saudável.
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Cada vez mais cedo, as crianças estão sendo introduzidas no universo do açúcar. À exposição crescente a refrigerantes, biscoitos, balas, sorvetes, achocolatados, entre outros produtos industrializados, ou às preparações caseiras açucaradas tem ajudado a viciar o paladar no sabor adocicado e acaba sabotando a alimentação saudável.

A endocrinologista pediatra Caroline Chaia esclarece que quanto mais cedo os pequenos têm contato com açúcar, maiores são as chances de se ter complicações na vida adulta. “Na infância, o excesso de adipocinas age retardando progressivamente o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) e cognitivo da criança, pois a multiplicação dos adipócitos é mais intensa nos primeiros anos de vida, levando ao atraso global do desenvolvimento neurológico com repercussões no sistema imunológico, o que deixa a criança obesa mais suscetível a doenças mentais e infectocontagiosas e aumenta as chances de obesidade futura”, explica. Estudos também relacionam que o consumo exagerado deste ingrediente pode aumentar o risco de diabetes, hipertensão arterial, dos níveis de colesterol e outros problemas. Além disso, o açúcar é considerado pelos dentistas como um dos maiores vilões da saúde bucal, já que, ao entrar em contato com as bactérias da boca, o produto se transforma em ácidos que corroem os minerais dos dentes e podem causar a cárie.

Até os dois anos, as crianças não devem consumir alimentos que contenham açúcar adicionado, de acordo com a recomendação de especialistas. Dessa idade até os 18 anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que a ingestão máxima do produto seja de seis colheres de chá (25 gramas) por dia.

O açúcar está na composição de alimentos naturais, como as frutas, verduras e raízes, e ajuda a fornecer energia para as atividades do dia a dia. Mas o problema não está aí, e, Sim, na versão adicionada aos industrializados e às guloseimas de casa. Saúde dela por toda a vida. “Ficou comprovado, por meio de
estudos, que o bebê engole o líquido amniótico a partir da 16º semana. E o sabor desse líquido, que o envolve enquanto ele cresce no útero materno, é resultado daquilo que a mãe se alimenta. Se a gestante não come verduras e legumes durante sua gestação, como o bebê aceitará esses sabores na introdução alimentar? O mesmo vale para a amamentação. Quanto mais variada e equilibrada for a maneira com que a mulher se alimenta, melhor será a formação do paladar da criança”, esclareceu.

Após a fase de introdução alimentar complementar, que vai do sexto ao décimo segundo mês
de vida, a criança deve ingerir a comida da família, evitando sempre o açúcar e os industrializados. À
nutricionista alerta que “em muitos casos, a família entende que significa sinal verde para oferecer
alimentos ricos em açúcar, sal e processados. Se for a sua realidade, saiba que é a família que deve
mudar a alimentação e passar a comer a comida do bebê. Como essa criança amadureceu, deixa de
ser necessário amassar os alimentos no formato de papinha. Você até pode começar a incluir sal e
derivados de leite — proibidos antes de um ano -mas em quantidades mínimas. Quanto mais tarde
o bebê tiver contato com guloseimas, melhor para a sua memória gustativa”.

O exemplo de casa é grande aliado para evitar que a criança cresça acostumada a consumir açú-
car. Por isso, os pais, familiares próximos e demais responsáveis têm um papel importante na definição de há-
bitos, na organização da rotina alimentar e nos limites do que pode ser consumido. “Não é preciso encher o seu filho de comida. Respeite a saciedade dele. Em geral, o apetite diminui após um ano de idade porque a taxa de crescimento é muito menor. Seu filho não precisa comer mais, ele precisa comer melhor”, complementa Eliana Dias. Investir em uma alimentação natural, rica em frutas, verduras, legumes
e produtos integrais, é o caminho sem riscos para chegar à vida adulta saudável.

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