Entrevista com Ricardo Ayache

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  1. Ricardo, um dos mais importantes programas de assistência à saúde da Cassems completa nove anos de atuação neste ano. Conte para nós como foi a criação do Cassems Itinerante e qual a importância dele para os mais de 200 mil beneficiários da Caixa de Assistência dos Servidores, principalmente os que residem no interior?

A importância desse programa é justamente levar assistência em saúde para a população do interior do Estado. A época da criação do programa, existia um imenso debate sobre as dificuldades que essas pessoas que residiam em cidades lange dos grandes centros tinham para ter acesso a atendimento médico. Hoje, a realidade não é muito diferente do que há nove anos, e sabemos o quanto o interior sofre com a ausência de profissionais especialistas. Então esse é o objetivo do programa, levar medicina especializada aos locais com maior carência nesse tipo de serviço. O grupo de profissionais que estão com a gente nessa ação é diferenciado, entende a necessidade de levar acolhimento a essa população e, sobretudo, tem esperança de minimizar essas dificuldades que encontramos no interior. Nós mapeamos as necessidades de cada município para criarmos um calendário que é divulgado com antecedência aos nossos beneficiários. Na primeira viagem do programa, nós levamos reumatologia aos municípios mais necessitados dessa especialidade, à época. Atualmente, temos médicos especialistas em Psiquiatria, Endocrinologia, Dermatologia, Ginecologia, Pediatria, Cardiologia, Neurologia e Geriatria participando do programa. Em nove anos de atuação, o Cassems Itinerante realizou mais de 52 mil atendimentos nos quatro cantos de Mato Grosso do Sul.

2. A Cassems sempre teve como meta o investimento em prevenção, seja por meio de pro-gramas, seja por meio de incentivo à prática esportiva. Em virtude da pandemia de Co-vid-19, alguns eventos não puderam acontecer, como a Copa Cassems, um dos mais tradicionais campeonatos de futebol amador do Estado, que volta neste ano. Como é poder compartilhar com os servidores públicos a retomada dessas atividades, que visam promover a saúde e a qualidade de vida?

É muito satisfatório ter a Copa Cassems de volta. Esta edição é a 139 e este é considerado o maior campeonato de servidores públicos de Mato Grosso do Sul e, como apontado por você, um das mais tradicionais. Criamos a Copa em 2008, com o claro objetivo de honrar a qualidade de vida dos servidores públicos por meio da prática esportiva além de promover a confraternização e a integração entre servidores de diversos órgãos públicos. Para se ter ideia do tamanho do campeonato hoje na primeira edição tivemos nove times disputando e, na última edição, realizada em 2010, foram 29 equipes. Então, após dois anos sem poder realizar a Copa Cassems por causa da pandemia é muito bom ter essa alegria de ver os servidores contentes com a volta do campeonato e envolvidos com a prática esportiva que, junto de uma alimentação saudável, é a melhor forma de melhorar a qualidade de vida e promover a saúde.

  1. A Cassems possui uma vasta rede hospitalar própria, espalhada de forma estratégica pelo Estado. Além de construir 10 hospitais nas principais cidades de MS, a Caixa de Assistência dos Servidores também investe constantemente em melhorias nessas unidades. Você pode elencar alguns desses avanços que a rede hospitalar vai receber?

Nos tínhamos várias reformas e ampliações programadas em nossos hospitais, porém, a pandemia mudou completamente esses planos. Mediante a situação caótica em que nos encontramos nos últimos dois anos, decidimos direcionar todos os recursos para estruturas, medicamentos, insumos e profissionais, ou seja, decidimos salvar vidas, sem medir esforços ou consequências. Para se ter ideia da dimensão do desafio que enfrentamos, ao longo dos meses de pandemia, o número de pacientes críticos, em terapia intensiva, aumentou cinco vezes. Então, realmente vivemos momentos bem difíceis, mas, aos poucos, estamos voltando à normalidade e dando sequência aos projetos que estavam parados. Alguns hospitais do interior já estão recebendo investimentos, como o de Três Lagoas, que recebeu um tomógrafo de 16 canais, com capacidade de suportar até 227 quilos, que otimizará muito os diagnósticos e melhorará o atendimento aos beneficiários do município e da região. Em Corumbá, implantamos um serviço de Neurocirurgia e cirurgia de coluna. A estrutura montada conta com centro cirúrgico, Unidade de Terapia Intensiva (UTI com equipamentos de última geração, 47 leitos de internação, centro de imagens e laboratório de análises, que, em abril, realizou o primeiro procedimento de Neurologia. Gradativamente, nós vamos colocar em prática outros projetos e retomar alguns investimentos.

4. O Hospital Cassems de Dourados também vai receber melhorias significativas. Obras estão em andamento, mas, como os outros projetos, tiveram de ser paralisadas em razão da pandemia. Quais são os ganhos que a unidade vai receber?

O novo Hospital Cassems de Ourados foi iniciado poucos dias antes do decreto de pandemia do novo coronavírus feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e, assim como outros tantos projetos teve de ser adiado. Após dois anos esperamos entregar a obra no início do ano que vem. Esta ampliação foi toda elaborada com modelo nos hospitais da Caixa de Assistência dos Servidores de Campo Grande e Corumbá, levando em conta as práticas mais modernas de construção. Atualmente, a área construída do hospital é de 2.750 mº e. após a ampliação, passará a ter aproximadamente 8.500 mº. Após o término da obra, alguns serviços terão mais espaço e estrutura para atender nossos beneficiários, como a Oncologia, a Nefrologia, o Laboratório e o Centro de Diagnósticos. Tudo isso trará mais tecnologia e inovação aos serviços prestados, além de maior qualidade no atendimento. A nava estrutura vai proporcionar mais 97 leitos, que, somados aos 60 já existentes, totalizarão 157 leitos de internação. Assim, o Hospital Cassems de Dourados será o maior da nossa rede hospitalar.

5. Em Campo Grande, o hospital também está passando por obras de ampliação e adequações. Além de mais leitos de UTI, a unidade também vai ter espaço mais adequado para os pacientes oncológicos?

Exatamente todas as reformas melhorias e ampliações que fazemos em nossas unidades hospitalares e ambulatoriais sempre são visando oferecer maior conforto melhor acolhimento e mais segurança aos nossos beneficiários. As principais obras do hospital de
Campo Grande vai aumentar a sua capacidade em mais 25 leitos de internação clínica, distribuídos da seguinte forma:18 leitos direcionados aos pacientes em tratamento oncológico e mais 7 leitos de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI).

Em novembro de 2021 nos implantamos a Rede Amo que é um serviço multidisciplinar de oncologia que oferece o melhor atendimento aos nossos pacientes por meio de profissionais altamente gabaritados e experientes.


Após a inauguração do nosso serviço próprio e especializado para o tratamento contra o câncer a demanda desse tipo de paciente aumentou bastante, então, estamos ampliando e aumentando este espaço, Hoje nós temos a maior rede hospitalar de Mato Grosso do Sul e o nosso objetivo é continuar oferecendo estruturas altamente qualificadas, que se tornam referência em nosso estado.

  1. Em agosto, o Hospital Cassems de Campo Grande realizou o primeiro transplante de medula do Estado. Além do pioneirismo, esse procedimento é uma grande conquista para a saúde de Mato Grosso do Sul. Conte para nós como foi todo o processo, que se iniciou há quase dois anos?

Esse tipo de conquista nos traz muito orgulho de ser Cassems. Ao realizar esse transplante de medula óssea, nos reiteramos a nossa vocação em atendimento hospitalar de alta complexidade Inicialmente, vamos realizar apenas o transplante autólogo, que é quando o paciente doa a medula para ele mesmo.


O início deste projeto aconteceu em janeiro de 2021 e em julho deste ano, recebemos a autorização do Ministério da Saúde para realizar o procedimento. Na manha do dia 10 de agosto deste ano, o paciente recebeu a medula e, quinze dias depois no dia 25, recebeu alta Então, após 18 meses desde o começo de todo o processo, dar a notícia de que o transplante foi realizado com sucesso nos deixa muito felizes e até emocionados. E uma vitória com a assinatura de todos os servidores públicos do Estado, que sempre nos apoiam e acreditam no nosso trabalho.


Além do empenho de toda a nossa equipe do Hospital Cassems de Campo Grande. Nos enfrentamos muitos desafios nos últimos anos, mas buscamos sempre avançar na melhoria da assistência à saúde e o nosso hospital reafirma, com a implantação do transplante de medula óssea a sua vocação como referência no atendimento hospitalar de alta complexidade. Nos já realizamos transplante cardíaco e com essa nova modalidade de atendimento, os pacientes que precisam de transplante e possuem dificuldade de ir para fora do Estado poderão realiza-lo aqui, em Campo Grande, no hospital Cassems. Isso representa um ganho muito grande para a Caixa de Assistência das Servidores, com um tratamento digno e tecnicamente adequado.

  1. Hoje, quase três anos após o início da pandemia de Covid-19, não podemos ainda garantir que estamos completamente livres da doença, porém, certamente o pior já passou. Durante essa verdadeira batalha que travamos contra o vírus, a Cassems teve um papel fundamental no enfrentamento da maior crise sanitária da história do Pais. Ao olhar para trás, qual o balanço que você faz desses meses de incerteza pelos quais passamos?

Realmente, foram dias difíceis para todos, contudo, para nós, que trabalhamos com saúde, o estresse atingiu índices absurdos. Vimos vários profissionais da saúde perderem suas vidas tentando salvar a vida da população. Nós, como plano de saúde, tivemos de tomar decisões rápidas e sem parâmetro nenhum, pois não tínhamos noção de como o vírus se comportava e de qual cenário encontraríamos no dia seguinte. Logo após o decreto de pandemia do novo coronavirus, nós imediatamente criamos um comitê de crise envolvendo várias áreas técnicas, para definirmos nossas ações e, antes mesmo do agravamento dos casos, nós nos antecipamos e erguemos o primeiro hospital de campanha do Estado para logo depois estarmos com três tendas de atendimento no hospital de Campo Grande exclusivas para pacientes com Covid-19.

Durante a pandemia, mais de 50.500 pacientes foram atendidos nos prontos atendimentos da Cassems, mais de 1.400 pacientes estiveram internados em UTIs 8.500 testes de Covid-19 foram realizados e 803 pacientes da Capital foram monitorados após a internação. Para fazer frente a essa demanda, nós contratamos mais de 300 profissionais Desenvolvemos novas ferramentas e funcionalidades digitais em tempo recorde, para implantarmos atendimento digital por meio de robô e teleconsultas. Em Campo Grande e Dourados, criamos o serviço Disque Informação Coronavirus e, também na Capital, implantamos o projeto Travessia, que acolheu os familiares dos pacientes com Covid-19, além do programa Fica Tudo Bem, que fez mais de 360 atendimentos psicológicos relacionados ao luto. Além do combate efetivo e pontual, a Cassems também colaborou na força-tarefa de vacinação contra o coronavirus por meio do drive-thru, para imunizar a população.

Foram mais de 60 mil doses aplicadas em seis meses de funcionamento. Todas essas ações e investimentos não serviriam de nada se não tivessem resultados positivos, e o que mais nos trouxe felicidade foi a alta taxa de recuperação dos pacientes atendidos pela Caixa de Assistência dos Servidores. Só no hospital de Campo Grande, 88,6% dos pacientes foram atendidos em leitos de enfermaria e de terapia intensiva. Esse resultado está entre os mais altos do País.

Então, respondendo à sua pergunta, ao olhar para trás, sinto uma satisfação enorme por tudo o que fizemos para mitigar os efeitos da pandemia, tenho muito orgulho de toda a equipe da Cassems, dos profissionais da saúde que arriscaram suas vidas para salvar vidas, de toda a equipe administrativa, dos diretores, dos conselheiros e, sobretudo, do servidor público de Mato Grosso do Sul.
que nos deu confiança e acreditou em nosso trabalho.

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