O ronco é um ruído provocado por um estreitamento ou obstrução nas vias respiratórias superiores durante o sono. Engana-se quem pensa que essa condição atinge apenas adultos. O problema também pode acometer o público infantil e merece bastante atenção.
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O ronco é um ruído provocado por um estreitamento ou obstrução nas vias respiratórias superiores durante o sono. Engana-se quem pensa que essa condição atinge apenas adultos. O problema também pode acometer o público infantil e merece bastante atenção.


Em 2020, o assunto esteve em destaque em campanha de conscientização realizada pela Academia Brasileira de Otorrinolaringologia Pediátrica (ABOPe), que alertava sobre a importância da prevenção de doenças que prejudicam o desenvolvimento infantil, como a apneia obstrutiva do sono e outros diagnósticos, entre os quais infecções no ouvido, distúrbios do equilíbrio e problemas respiratórios, que causam prejuízos na formação da criança e influenciam no crescimento saudável.
O otorrinolaringologista Gustavo Zangirolami descreve alguns prejuízos que o ronco pode causar nos pequenos.

“O ronco em crianças pode levar a um baixo desenvolvimento neuropsicomotor durante a evolução da infância. Além disso, traz sonolência diurna à criança durante o período escolar, levando ao baixo rendimento nesse ambiente tão importante”, informa. É durante a noite que também ocorre a liberação de hormônios do crescimento, por isso a qualidade do sono é essencial.


De acordo com um levantamento da Sociedade To- rácica Americana, cerca de 10% das crianças roncam, mas somente cerca de 1% a 3% desse grupo tem apneia obstrutiva do sono, uma doença definida pela interrupção da respiração por dez segundos ou mais durante a noite. Com o tempo, quem sofre de apneia pode ter pressão alta e maior o risco de doenças cardíacas, por exemplo.


Segundo Zangirolami, as principais causas de roncos na infância são as rinites alérgicas; o aumento das amígdalas e das adenoides, chamado tecnicamente pe- los médicos de hipertrofia adenoamigdaliana, que pode prejudicar a respiração nasal e provocar uma obstrução da via aérea; o micrognatismo, em que é a mandíbula é menor do que o normal; e alterações craniofaciais.


“Os prejuízos do ronco são enormes, pois podem levar a infecções de repetição das narinas, ouvido e garganta, além de baixa oxigenação cerebral nesta faixa etária, resultando em prejuízos no seu desenvolvimento”, esclarece o profissional.


O médico destaca que os indicativos importantes a serem observados além da sonolência diurna são: despertares noturnos, existência da respiração bucal, ou seja, dificuldade de respirar pelo nariz, atraso escolar e sinais de rinite alérgica, como espirros, obstrução nasal e secreção excessiva do nariz.


A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) também lista mais pistas, como a presença de ruídos de sufocamento e inspiração difícil ou respiração barulhenta e movimentos frequentes durante a noite, com mudanças na posição de dormir. Urinar na cama frequentemente, principalmente se a criança já tinha prévio controle no período noturno, é outro sinal que merece atenção, segundo a entidade médica.


O ronco em crianças pode levar a um baixo desenvolvimento neuropsicomotor durante a evolução da infância. Além disso, traz sonolência diurna à criança durante o período escolar, levando ao baixo rendimento nesse ambiente tão importante.

PREVENÇÃO


Avaliações com especialistas como pediatras, otorrinolaringologistas e odontopediatras vão ajudar a diagnosticar precocemente qualquer problema e iniciar o tratamento.


Além disso, Zangirolami esclarece que “as medidas de prevenção seriam evitar o uso excessivo de ar-condicionado durante o sono, locais empo- eirados, chupetas em longo prazo e alimentos com excesso de gorduras e carboidratos no jantar”.


Quem sofre de rinite alérgica precisa de cuidados com o ambiente, como fazer o controle de ácaros, evitar locais com umidade excessiva e deixar o quarto sempre limpo, incluindo os equipamentos de climatização, que devem ter os filtros higienizados constantemente para não acumular poeira e outros microrganismos. Tratar problemas respiratórios também ajudará o paciente a parar de roncar.


“O uso de soro fisiológico nasal em dias de tempo seco ajuda a eliminar impurezas das fossas nasais, melhorando a respiração durante o sono”, complementa Zangirolami.


A vigilância e a atenção dos pais para reconhecer esses comportamentos são medidas importantes para buscar a ajuda de profissionais de saúde e evitar consequências no desenvolvimento em longo prazo.

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