Seletividade alimentar

Seletividade alimentar
Especialistas explicam como identificar alterações no comportamento alimentar das crianças
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A constante recusa de determinados alimentos pode não ser frescura para comer, mas, sim, seletividade alimentar. Você já ouviu falar?

Fornecer ao corpo todos os nutrientes de que ele precisa é o ponto inicial para um desenvolvimento saudável. Porém, apesar de isso ser uma necessidade, pode ser um desafio para pais e filhos.

A seletividade alimentar infantil acontece quando a criança passa a ter uma alimentação altamente restrita, por motivos fisiológicos ou comportamentais. Ela pode ser identificada pela recusa alimentar, pela redução no apetite, pelo desinteresse pela comida ou mesmo pela agitação no momento de comer.

Os pequenos podem apresentar aversão a alguns tipos de alimentos, por conta das cores, das texturas e dos sabores, chegando até mesmo a desenvolver fobia por alimentos específicos. Embora a alimentação seletiva não seja incomum entre as crianças menores, que estão tipicamente em fase de crescimento, a ocorrência em crianças com transtorno do espectro autista (TEA) pode ser ainda mais restritiva, podendo se estender além do período da primeira infância.

Segundo a Associação Brasileira de Transtornos Alimentares, crianças com seletividade alimentar costumam consumir alimentos específicos, rejeitam novas opções e têm dificuldades sensoriais com determinados alimentos. Desinteresse pela comida, medo ou preocupação com as possíveis consequências desagradáveis ao consumir alguns alimentos também podem estar presentes.

Estudos científicos apontam que 25% das crianças típicas são seletivas e entre 60% e 80% das crianças com TEA têm comportamento seletivo com os alimentos. Crianças e adolescentes com dificuldades alimentares não tratadas podem se tornar adultos com transtorno alimentar restritivo evitativo (Tare), um distúrbio caracterizado pela redução do consumo ou variedade dos alimentos, que pode gerar consequências na saúde física ou psicossocial.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e deve ser feito por um (a) psicólogo (a). Conforme explica Ariane Brito, psicóloga infantil da Cassems, “crianças que têm essa disfunção começam a apresentar comportamentos de recusa alimentar. Muitas vezes, apresentam sintomas de vômito e pouco interesse pelos alimentos. Cada criança apresenta de uma forma, e os pais precisam continuar oferecendo os alimentos, mesmo se houver recusa para ingeri-los”.

Prevenção

Para que as crianças diminuam as chances de apresentar seletividade alimentar, a nutricionista da Cassems Luciana Guedes explica que a prevenção deve ser realizada desde a gravidez.

“Desde o período gestacional, é importante os pequenos terem acesso à alimentação saudável por meio da alimentação materna, já que uma das primeiras faculdades desenvolvidas no bebê é o olfato e o paladar. A amamentação feita exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade é uma prática inicial que promove acesso à alimentação adequada ao bebê. Quanto às crianças neuroatípicas, é fundamental seguir as orientações sobre a amamentação exclusiva e a introdução alimentar adequada. No entanto, dado o seu perfil orgânico, motor, sensorial, emocional e comportamental, é necessário um acompanhamento clínico nutricional para a investigação de sinais e sintomas associados a questões orgânicas, com análise de exames laboratoriais para uma completa prescrição e abordagem nutricional e alimentar, a fim de melhorar o contexto alimentar”.

A seletividade alimentar pode parecer inofensiva, mas é preciso cuidado. A longo prazo, ela pode acarretar deficiências nutricionais, cuja condição pode resultar em uma dieta desequilibrada e carente de nutrientes essenciais; restrição de grupos alimentares, quando certos grupos alimentares são excluídos da dieta, a pessoa corre o risco de não obter os nutrientes necessários para um crescimento e desenvolvimento saudáveis. Problemas psicossociais: a seletividade alimentar pode causar estresse emocional e social tanto para a pessoa afetada como para sua família.

Tratamento

Geralmente, o tratamento inclui o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar composta de fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista e psicólogos. “A seletividade alimentar pode ser também trabalhada com encadeamento de alimentos [Método SOS – Sequential Oral Sensory], que visa ampliar a variedade de alimentos”, esclarece a nutricionista.

A abordagem sensorial oral sequencial consiste em apresentar à criança alimentos de sua preferência, modificando gradualmente a textura, o sabor e a temperatura, com o objetivo de expandir o seu repertório alimentar. Essa abordagem é apresentada aos pais para aplicação com a criança em casa, sempre de forma lúdica.

Entre as dicas dos especialistas estão introduzir novos alimentos de forma gradual e repetitiva, tornar os alimentos mais atraentes visualmente, incentivar a participação ativa na preparação das refeições e criar um ambiente positivo na hora da alimentação.

Caso os pais tenham dificuldade para colocar em prática, há, ainda, a opção de terapia alimentar, que é uma abordagem em que o nutricionista propõe à criança atividades estruturadas com o intuito de auxiliá-la na dessensibilização de alimentos que recusa, de forma gradual e responsiva, por meio de estímulos e exposição, até que ela se sinta segura em prová-los.

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