Psicólogo da Cassems esclarece dúvidas sobre um problema que afeta milhões de trabalhadores brasileiros
Por Cidiana Pellegrin/ Foto: Banco de Imagens
Em 2019, a síndrome de burnout, ou síndrome do esgotamento profissional – como também é conhecida –, ganhou ainda mais notoriedade ao ser incluída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na lista da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que entrará em vigor em 2022. Conceituado como “resultante do estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”, o transtorno não foi categorizado como doença, mas como um fenômeno ocupacional que afeta a saúde.
Quem sofre desse distúrbio pode ter sintomas como: cansaço excessivo físico e mental, dor de cabeça constante, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança, negatividade frequente, sensação de derrota, de desesperança e de incompetência, alterações repentinas de humor, fadiga, dores musculares, alteração nos batimentos cardíacos, entre outros sinais.
No Brasil, a estimativa é de que cerca de 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores sofram com a síndrome de burnout, segundo a International Stress Management Association (Isma-BR), organização sem fins lucrativos voltada à pesquisa e ao desenvolvimento da prevenção e do tratamento de estresse no mundo.
A seguir, o psicólogo organizacional da Cassems, Admilson Machado de Oliveira, esclarece alguns mitos e verdades sobre o tema.
O trabalho é o único fator que causa a síndrome de burnout?
VERDADE.
“Podemos dizer que o estresse mal administrado no trabalho é o fator que causa a síndrome de burnout”, alerta Admilson. Por isso, o profissional orienta que cada pessoa cuide de sua saúde mental e que toda empresa garanta o bem-estar de seus colaboradores, a fim de prevenir o surgimento desse transtorno. Até início de 2019, o diagnóstico de burnout era de esgotamento e exaustão e poderia se estender a diversos problemas relacionados com o ambiente de trabalho e com o modo de vida de cada paciente, conforme explicava a CID-10, que é a lista de classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde, da OMS. Ou seja, essa doença psíquica não era causada, exclusivamente, pelo trabalho. “Com os avanços dos estudos, a CID-11 (nova edição do manual de classificação internacional de doenças) já descreve esse transtorno como um fenômeno exclusivamente ocupacional”, complementa o psicólogo.
Estar estressado ou esgotado com o trabalho é o principal sinal da síndrome?
MITO.
O psicólogo da Cassems revela que “o estresse pode ser considerado como algo comum, como uma variação rotineira do humor. Geralmente, se começa a perceber [a síndrome] quando a pessoa perde a vontade de sair de casa para trabalhar, pensa em desistir e a não se importar com a carreira, após isso, o quadro só evolui com os sintomas psicológicos e físicos.
A empresa em que trabalho tem responsabilidade pelo desencadeamento da síndrome de burnout ?
VERDADE.
“Toda empresa tem obrigação de proporcionar um ambiente de trabalho com qualidade e boas condições para que se previna o desenvolvimento de doenças, sejam elas psíquicas ou físicas, bem como deve dar assistência ao colaborador quando necessária”, esclarece Admilson.
O diagnóstico de burnout é feito apenas por médicos psiquiatras?
MITO.
Psicólogos também atuam no diagnóstico. Além disso, o tratamento deve ser feito em conjunto, já que a psicoterapia é fundamental para a elaboração dos fatores que causaram a doença e a reestruturação para a recuperação. Conforme o caso, o tratamento também pode envolver medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos, prescritos por médicos.
Estar feliz com o trabalho evita o surgimento da síndrome de burnout?
VERDADE.
“A pessoa que desenvolve a síndrome, embora possa ter diversos fatores externos que favoreçam o desencadeamento, muitas vezes, não está feliz com o que faz. Fazer o que gosta é o caminho para o sucesso, por isso, buscar a realização profissional é muito importante para prevenir e cuidar da saúde mental”, explica Admilson.
Ter burnout pode indicar que não sou bom na profissão que escolhi?
MITO.
“Muito pelo contrário, a pessoa que desenvolve burnout é muito boa no que faz, se dedica por inteiro, esquecendo dela mesma. O problema é que, muitas vezes, ela não consegue enxergar sua própria competência e fica na busca insaciável que a leva ao adoecimento”, explica Admilson.
Praticar exercícios físicos e atividades de lazer ajudam na prevenção?
VERDADE.
Pessoas com hábitos de lazer e que praticam exercícios físicos têm menos chances de ter estresse e depressão – sintomas de burnout –, em razão de o organismo produzir neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar e de felicidade, o que ajuda a prevenir essas doenças.
Profissionais que atuam na área da saúde não sofrem com a doença?
MITO
“Trabalhar na saúde exige muito de quem escolhe o segmento. Uma pesquisa realizada no Brasil, em 2006, evidenciou que os enfermeiros são os mais propensos a desenvolver a síndrome, principalmente os que atuam na oncologia”, revela Admilson. Além dessa classe, médicos, policiais e professores são outras profissões que oferecem maior risco de desenvolver o problema, segundo especialistas.
Somente pessoas com atividade profissional desenvolvem a síndrome de burnout
VERDADE.
Embora os sinais sejam os mesmos de outros transtornos mentais, classifica-se como síndrome de burnout “quando esses sintomas são engatilhados por situações resultantes de um estresse crônico no trabalho que não foi bem administrado”, finaliza Admilson.


