Sem poderem ir à escola, nem sair para brincar com os amigos ou fazer qualquer outra tarefa presencial em grupo, passaram mais tempo confinadas em casa, o que aumentou a propensão a refeições adicionais não programadas e o risco de obesidade infantil.
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Profissionais de Nutrição e Educação Física da Cassems dão dicas de como lidar com o problema

Por Cidiana Pellegrin/ Foto: Banco de Imagem

Com a chegada da pandemia causada pelo novo coronavírus, as crianças tiveram suas rotinas bruscamente afetadas, com uma queda repentina de suas atividades. Sem poderem ir à escola, nem sair para brincar com os amigos ou fazer qualquer outra tarefa presencial em grupo, passaram mais tempo confinadas em casa, o que aumentou a propensão a refeições adicionais não programadas e o risco de obesidade infantil.

Além dos impactos psicológicos, o isolamento social trouxe como consequência o sobrepeso desse público, uma realidade confirmada pela nutricionista da Cassems Eliana Dias. Segundo ela, a maioria das crianças que agendaram atendimento nos últimos meses estava com peso elevado resultante da quarentena. O problema não deve ser ignorado, pois sinaliza que está ocorrendo “excesso de quantidade, compulsão e ansiedade perante o alimento”, esclarece a especialista. Além do aspecto visual, cansaço excessivo e falta de disposição são outros fatores que podem identificar se a criança pode estar com sobrepeso.

Para coordenador de Educação Física da Cassems, Nakal Laurenço, é ruim a criança estar nessa condição, pois isso acarreta perda de mobilidade motora e disfunções hormonais. “Com o sobrepeso, as crianças tendem a ‘amar o chocolate e as telinhas virtuais’ e, com isso, evadem-se da atividade física, agravando mais sua qualidade de vida, podendo gerar problemas nos ossos e articulações, como, também, comorbidades adjacentes do sobrepeso, tais como diabetes, colesterol, problemas no fígado, entre outras”, explicou. 

Estabelecendo uma rotina 

Entre as primeiras medidas para mudar essa situação da criança é entender que a função dos pais é primordial nesse processo. Na lista de estratégias nutricionais que devem ser adotadas, Eliana destaca que é preciso corrigir erros alimentares e cuidar da alimentação de todos os integrantes da família.

Se a criança tem à disposição alimentos ultraprocessados e densos em caloria, é porque alguém trouxe para a casa

Eliana Dias, nutricionista da Cassems

Na hora das refeições, a profissional indica sempre dar preferência a alimentos de verdade, e não industrializados, e investir em pratos mais coloridos, com variedade de frutas, verduras e legumes, ao longo do dia. Outra dica de Eliana é evitar beliscar alimentos fora de hora. “O processo de correção alimentar deve ser devagar, mas constante”, complementa.

Criar uma cultura de bons hábitos alimentares dentro da família pode parecer desafiadora no início, mas, para conseguir implementá-la, Eliana reforça que o trabalho deve ser conjunto. “Todos da família devem estar envolvidos no processo. A alimentação de qualidade e com variedade é boa para todos, não só para a criança. Procurem ter uma rotina para tudo em casa, para trabalhar, para comer e, também, para se divertirem juntos, isso faz muita diferença na vida da criança”, detalha a nutricionista da Cassems. 

Além do equilíbrio e da organização na área nutricional, fazer exercícios é muito importante no processo de perda de peso.

Geralmente as crianças tendem a seguir o exemplo primário, o que vem de casa. Por isso, o papel dos pais é primordial na forma de incentivo e de dar exemplo para prática de atividade física

Nakal Laurenço, educador físico da Cassems

Um estudo divulgado em maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que, para melhorar a saúde física, é recomendado que sejam praticadas 300 horas semanais, em torno de 60 minutos diários, de exercícios físicos. A dica do educador físico da Cassems é que os pais dividam os 60 minutos diários em doses menores, de 20 minutos em cada período do dia, por exemplo.

Mesmo que o isolamento social, uma consequência da pandemia, possa ter dificultado a rotina e exigido uma readaptação, ele não pode ser um fator impeditivo para manter pessoas ativas fisicamente, na análise de Nakal. Os exercícios, assim como várias outras tarefas diárias, podem ser desenvolvidas dentro de casa, ou em ar livre, sem aglomerações e respeitando os protocolos de biossegurança sugeridos pelas organizações de saúde. 

Para manter as crianças ativas neste período de pandemia, auxiliando na redução do ganho de peso na quarentena, ele dá cinco dicas:

  • Pratique atividade física, dando preferência às que agradam à criança. 
  • Permita que a criança vivencie o máximo de modalidades esportivas possíveis e deixe que ela escolha a que mais lhe agrada.
  • Trabalhe com brincadeiras e a ludicidade. Os pais devem explorar o campo da imaginação das crianças.
  • Dentro do espaço que se está “confinado”, inove, vivencie e explore as atividades que trabalhem com a memória e o estímulo do corpo da criança.
  • Realize atividades ao ar livre – em praças e parques, por exemplo –, seja andar de bicicleta, caminhar ou outras atividades, sem se esquecer que os pais devem fazer parte dessas vivências.

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