Solidão na terceira idade

Envelhecer é um caminho natural da vida. Nesse processo, o corpo passa por mudanças naturais que afetam o seu funcionamento. Mas não é só a saúde física que requer cuidados especiais na maturidade, o lado emocional também é um desafio na qualidade de vida.
Compartilhe:

Envelhecer é um caminho natural da vida. Nesse processo, o corpo passa por mudanças naturais que afetam o seu funcionamento. Mas não é só a saúde física que requer cuidados especiais
na maturidade, o lado emocional também é um desafio na qualidade de vida.

Uma pesquisa da Sociedade de Geriatria e Gerontologia de São Paulo, em parceria com a farmacêutica Bayer, mostrou que o maior medo da população idosa é a solidão. Ao envelhecer,
2 pessoa vai substituindo a rotina de trabalho. E as ocupações por uma vida diária sem compromissos. Essa mudança, quando não planejada previamente, pode despertar sentimentos
de inutilidade, tristeza, solidão e até evoluir para uma depressão. No futuro, teremos pessoas mais
longevas e solitárias, porque cada vez mais os indivíduos estão tendo menos filhos; analisa a
psicóloga Patrícia Dourado Teixeira.

Com o avanço da ciência e da tecnologia, mudanças de hábitos, melhora das condições sanitárias e do acesso aos serviços de saúde, a expectativa de vida vem crescendo no Brasil: 72 anos e cinco meses para os homens e 79 anos e quatro meses para as mulheres, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


De 2012 a 2018, a quantidade de idosos no País aumentou 26%, segundo a pesquisa Pnad Contínua – Características Gerais dos Domicílios e dos Moradores 2018, divulgada em maio deste ano. Daqui a duas décadas, a população brasileira terá mais idosos do que jovens.

A solidão já é observada na rotina de consultório da geriatra Natália Della Roveri Rodrigues. “Os
idosos gostam de atenção e requerem carinho, muitos se sentem sozinhos e desamparados, mesmo rodeados de pessoas queridas”, completa. A especialista também alerta que isso pode
acarretar o isolamento e desencadear doenças graves.

Para tornar a terceira idade uma experiência positiva, a alternativa é ter um envelhecimento
ativo. O termo, adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), indica que o idoso ativo vai
além do físico saudável, inclui o bem-estar social e mental. “O corpo ativo é muito importante,
porém, esse conceito abrange manter a mente ativa também, tendo participação nas questões econômicas, sociais, espirituais, culturais e civis.Mesmo idosos frágeis, com doenças crônicas, podem continuar contribuindo para a sociedade”,
explica Natália.

A Organização Pan-Americana da Saúde, ligada à OMS, acredita que a idade avançada não é
motivo para impedir esse público de ser e fazer o que deseja ou valoriza.

O coordenador técnico de Educação Física da Cassems, Nakal Laurenço Fortunato da Silva,
orienta que o idoso não se limite aos desafios que podem surgir da maturidade. “O ato de envelhecer vai minando as reservas que O nosso organismo tem para usar nos momentos de estresse, no momento de solidão e de angústia. Temos de buscar encarar a vida de forma mais positiva e agregar uma alimentação equilibrada e atividade física a nossa rotina, isso ajuda a aumentar a expectativa de vida”, explica.

O convívio social também é muito importante para combater o sentimento de vazio. Cercar-se
de pessoas que tenham interesses em comum ajuda a fortalecer os laços já existentes ou criar
novas amizades. Frequentar centros de convivência de idosos em sua cidade ou projetos que
promovam envolvimento com grupos de terceira idade pode ser uma saída para ampliar o ciclo
de relacionamento. A atividade física, por exemplo, quando realizada em grupo, consegue estimular a integração das pessoas. “Nunca é tarde para começar. O exercício é o alicerce para que
o ser humano desfrute da saúde. É essencial trabalharmos a nossa autoestima, nossos reflexos,
nossa criatividade, cuidar do corpo e da mente.

E a educação física ajuda nesse processo”, considera Nakal. Se há um tempo ocioso, que tal ir brincar com os netos, visitar algum colega do antigo trabalho ou convidar os amigos para um cinema? São momentos propícios para se divertir e dar boas risadas. E, se houver disposição e espírito de solidariedade, fazer um trabalho voluntário é outra dica para se manter ocupado e ainda ajudar o próximo.

Previna-se

Até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos, segundo a OMS. E como
está a preparação para esta realidade futura?

Nakal chama a atenção para como a prática de exercícios colabora para o envelhecimento
ativo. “Fazer exercícios dá mais disposição, deixa as pessoas mais ágeis na execução das tarefas diárias e esse vigor auxilia na obtenção do peso ideal e no controle da pressão e da
frequência cardíaca. Além disso, estimula os níveis de oxigênio no corpo, a respiração e o
pulmão trabalham muito melhor e também há melhoria na qualidade do sono”, explica. Outras
vantagens listadas pelo profissional são o aumento da resistência imunológica e a diminuição do cansaço para atividades mais longas, como viagens e passeios.

Na visão da geriatra Natália, a prevenção deve ser constante. “Sempre falo para os adultos jovens que as atitudes da etapa em que estão vivendo determinarão o seu envelhecimento. Então, temos de nos cuidar para ter um envelhecimento ativo”, aconselha a médica.

Veja também: